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Colheita de trigo avança no Paraná, mas escassez de cereal de qualidade mantém preços firmes no país

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O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana de 14 de agosto com baixa liquidez e cotações sustentadas. A oferta limitada de grãos de melhor qualidade, aliada à postura cautelosa dos moinhos, impediu recuos mais significativos nos preços, mesmo com a chegada dos primeiros lotes da nova safra paranaense.

Primeiros lotes no Paraná

No norte do Paraná, as colhedoras começaram a entrar em campo e já disponibilizam volumes iniciais da safra 2026. Os lotes apresentam expectativa positiva de qualidade, porém a quantidade comercializada ainda é pequena. As referências giram em torno de R$ 1.450 por tonelada, valor que permanece praticamente inalterado diante da diferença entre as pedidas de vendedores e compradores.

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De acordo com o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, os negócios seguem pontuais, pois os moinhos evitam alongar posições à espera de maior definição sobre a oferta.

Rio Grande do Sul mantém estabilidade

Enquanto o Paraná inicia a colheita, no Rio Grande do Sul as indicações de mercado variam entre R$ 1.300 e R$ 1.350 por tonelada, conforme localização e qualidade do produto. Lotes que atendem às especificações de moagem encontram maior sustentação, enquanto grãos fora do padrão registram menor liquidez.

O excesso de chuvas no estado gaúcho eleva a preocupação com doenças nas lavouras e traz incertezas sobre produtividade e qualidade. Segundo Bento, vendedores mantêm as ofertas até que haja maior clareza sobre o potencial da safra.

Importações passam de 5 milhões de toneladas

Para complementar a oferta interna, o Brasil segue recorrendo ao mercado externo. Os line-ups de importação totalizam 5,011 milhões de toneladas na temporada 2025/26 (setembro/25 a agosto/26). Somente em agosto, estão programadas 433,685 mil toneladas, volume inferior às 528,657 mil toneladas registradas no mesmo mês do ciclo anterior.

Destinos das compras externas

O Ceará lidera como destino do trigo importado, com 1,151 milhão de toneladas (23% do total). Em seguida aparecem:

  • São Paulo: 956,943 mil toneladas (19,1%);
  • Pernambuco: 622,221 mil toneladas (12,4%);
  • Rio de Janeiro: 581,822 mil toneladas (11,6%);
  • Bahia: 578,308 mil toneladas (11,5%).

Juntos, os cinco estados concentram 77,6% dos volumes importados ou programados.

Período de transição

O mercado atravessa a fase que liga o fim da oferta remanescente da safra passada à entrada da nova produção. Enquanto a disponibilidade de trigo de qualidade segue restrita, a colheita paranaense avança gradualmente e poderá ampliar a liquidez nas próximas semanas, dependendo do volume efetivamente colhido e do padrão dos grãos.

Até lá, compradores continuam cautelosos nas aquisições, e produtores monitoram as cotações antes de ampliar vendas.

Com informações de Portal do Agronegócio

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