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Crise com Milei amplia desgaste e evidencia cinco falhas na política externa do governo Lula

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O confronto verbal entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente argentino, Javier Milei, reabriu o debate sobre a condução da política externa brasileira. A troca de acusações culminou, em 29 de julho de 2026, na convocação do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas em Brasília, e na chamada do embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, ao Itamaraty, onde o chanceler Mauro Vieira expressou “repulsa” às declarações de Milei.

Analistas ouvidos pela reportagem apontam que o episódio soma-se a uma série de tensões internacionais registradas desde o início do terceiro mandato de Lula. Segundo eles, cinco fatores explicam o atual desgaste:

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Ideologia sobre pragmatismo

Para o doutor em Filosofia e mestre em Relações Internacionais Cezar Roedel, o governo permitiu que afinidades políticas direcionassem decisões diplomáticas, abandonando o tradicional pragmatismo brasileiro. Márcio Coimbra, presidente do Instituto Monitor da Democracia, classifica a postura como “terceiro-mundismo anacrônico” que se sobrepõe a interesses econômicos concretos.

Desgaste com parceiros estratégicos

Declarações de Lula sobre a guerra em Gaza, atritos com os Estados Unidos e o impasse com a Argentina são citados pelos especialistas como episódios que prejudicaram negociações comerciais e afastaram investidores.

Aproximação com regimes autoritários

Os analistas criticam a proximidade de Brasília com Venezuela, Nicarágua e Rússia. Em junho, levou quatro dias para o Itamaraty reagir ao anúncio do presidente nicaraguense Daniel Ortega de que não haverá mais eleições no país, atitude considerada branda pela oposição.

Perda de protagonismo internacional

Crises sucessivas teriam consumido capital diplomático e reduzido a influência brasileira em mediações regionais, como nas negociações sobre a Venezuela e no acordo Mercosul-União Europeia.

Condução personalista

Roedel e Coimbra avaliam que decisões externas refletem sobretudo preferências pessoais do presidente, enfraquecendo a tradição institucional do Itamaraty e estimulando reações no Congresso, que intensificou convocações de autoridades e moções de repúdio.

Resposta do Itamaraty

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores nega perda de relevância e informa que, desde janeiro de 2025, o chanceler Mauro Vieira participou de 645 reuniões de alto nível com representantes de 120 países. No mesmo período, Lula realizou 205 encontros bilaterais com líderes de 76 nações, marcou presença em quatro reuniões do G7 e em cúpulas da ASEAN, União Africana e Caricom.

A pasta cita ainda acordos de livre-comércio do Mercosul com Singapura, União Europeia e EFTA, além da presidência brasileira do G20, dos BRICS e da COP30. O ministério ressalta que o Brasil condenou a invasão russa da Ucrânia em 2023, cobrou transparência eleitoral na Venezuela e criticou violações de direitos humanos na Nicarágua.

No Legislativo, parlamentares da oposição utilizam convocações e requerimentos para aumentar o controle sobre a diplomacia federal. Segundo Coimbra, esse movimento sinaliza ao exterior que as posições de Lula não são unanimidade dentro do Estado brasileiro.

Com informações de Gazeta do Povo

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