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Último pouso: como a Transbrasil saiu do transporte de carne para a falência em 2001

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São Paulo – Fundada em 1955 para levar carnes da Sadia de Santa Catarina a São Paulo, a Transbrasil tornou-se a quarta maior companhia aérea do país, mas encerrou as operações em 3 de dezembro de 2001, quando o corte no abastecimento de combustível selou o destino de uma empresa já afogada em dívidas superiores a R$ 900 milhões.

Origem dentro de um frigorífico

Omar Fontana, terceiro filho do industrial Attilio Fontana, criou a companhia em 5 de janeiro de 1955 com o nome Sadia S.A. Transportes Aéreos. A ideia surgiu ao perceber um avião ocioso da Panair no Aeroporto de Congonhas que poderia transportar produtos da família.

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Rapidamente, os aviões que levavam carne passaram a transportar também passageiros que voltavam em aeronaves vazias. Em 1965, a empresa já atendia 22 mil pessoas por ano em rotas que ligavam o sul de Minas, o interior do Paraná e Santa Catarina.

Crescimento e mudança de identidade

Após operações de compra e recompra de participações, a companhia ingressou em um ciclo de aquisições, como os 80% da Transportes Aéreos Salvador em 1962, e recebeu seus primeiros jatos. Em 1972, para enfatizar a atuação nacional e desfazer o vínculo direto com o frigorífico, adotou o nome Transbrasil e transferiu a sede de Congonhas para Brasília.

Inspirada na americana Braniff, cada aeronave passou a receber uma pintura diferente. Em 1979 surgiu a clássica fuselagem em arco-íris, marca registrada da empresa. A Transbrasil também inovou ao instalar telefones a bordo, construir um dos maiores hangares do país na capital federal e alternar aviões entre passageiros de dia e carga dos Correios à noite.

Choques econômicos e intervenção

Menor entre as grandes companhias – sem rotas internacionais em dólar como a Varig nem o respaldo estatal da Vasp – a Transbrasil foi a mais afetada pelos congelamentos de tarifas dos anos 1980. Em 1988, o governo federal interveio, alegando má gestão. A direção nomeada fez concessões salariais e vendeu ativos, devolvendo a companhia a Omar Fontana em dezembro de 1989.

Expansão internacional e alerta ignorado

A partir de 1989, a Transbrasil rompeu o predomínio da Varig nas rotas para os Estados Unidos e mais tarde voou também para Europa e América do Sul. Em 1997, a consultoria britânica Speedwing, da British Airways, concluiu que todos os voos internacionais eram deficitários e apontou excesso de escalas. Mesmo assim, eles continuaram.

O quadro piorou com a desvalorização do real em janeiro de 1999, que reduziu pela metade o valor da moeda e pressionou uma empresa já descapitalizada. Rotas foram cortadas e aeronaves devolvidas.

Perda de fôlego e concorrência low cost

No fim de 2000, Omar Fontana morreu de câncer. Em janeiro de 2001, a Gol Linhas Aéreas iniciou operações no modelo low cost, low fare. A Transbrasil vendia passagens baratas sem possuir a mesma estrutura de custos enxutos da nova concorrente.

Pressionados, fornecedores ingressaram na Justiça para cobrar dívidas e passaram a exigir pagamento à vista. Em 3 de dezembro de 2001, Shell e BR Distribuidora suspenderam o fornecimento de combustível. Naquela noite, às 20h30, um Boeing vindo de Fortaleza, com escalas em Recife e no Rio, pousou em Congonhas. Os controladores informaram aos pilotos que aquele seria o último pouso da empresa.

Tentativas frustradas de ressurgimento

Após o colapso, houve tentativas de reativação. A empresa foi vendida por R$ 1 a um empresário que prometia capital estrangeiro de US$ 25 milhões, operação desfeita logo em seguida. Um veterano do turismo assumiu a direção prometendo dez aviões e renunciou cinco dias depois. Em 2002, a falência foi decretada e a frota leiloada.

A Transbrasil deixou milhares de passageiros sem embarcar, funcionários sem salários e registrou a primeira grande falência da aviação comercial brasileira, segundo a revista especializada Airway.

Com informações de Exame

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