O juiz José Hélio da Silva, da 1ª Vara Cível de Pouso Alegre (MG), nomeou o perito digital Eduardo Tagliaferro para verificar a autenticidade de um áudio utilizado pelo Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da União Geral dos Trabalhadores (Sindiapi-UGT) na cobrança de mensalidade de um segurado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Tagliaferro, que foi assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deverá produzir laudo técnico sobre a gravação apresentada pelo sindicato. No áudio, uma atendente oferece a filiação ao aposentado, descreve vantagens, confirma dados pessoais — como CPF, número do benefício e endereço — e informa a cobrança mensal de R$ 40,75. Ao fim da ligação, o beneficiário responde: “Sim, confirmo”.
A defesa do segurado questiona a validade da autorização e sustenta que os descontos são indevidos. Por esse motivo, solicitou a perícia para comprovar se o arquivo foi editado ou manipulado.
Perito réu no STF
Desde abril do ano passado, Tagliaferro se encontra na Itália e responde a processo no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de vazar mensagens sigilosas do gabinete de Moraes, então presidente do TSE. Há um mandado de prisão expedido contra ele. Mesmo assim, a nomeação judicial garante a possibilidade de recebimento de honorários pela atuação pericial.
Em dezembro, o mesmo especialista foi indicado como perito em ação no Paraná que discute a autenticidade de assinatura eletrônica em contratação digital atribuída a um cliente do Itaú. Após a divulgação desse caso, o corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, intimou a juíza responsável a prestar esclarecimentos sobre a escolha do profissional.
A reportagem não localizou Tagliaferro para comentar a nova designação.
Com informações de Metrópoles

