O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de até R$ 6 milhões em bens do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos-MG). A decisão, publicada neste domingo (7), aponta indícios de que Cunha utilizou o mandato do deputado Gilberto Abramo (Republicanos-MG) para negociar emendas parlamentares, embora esteja fora do Congresso desde 2016.
A medida baseia-se em inquérito da Polícia Federal que investiga desvios de recursos de emendas da Comissão de Saúde da Câmara. Além do bloqueio de bens, o ministro suspendeu imediatamente a execução de todas as despesas ligadas às emendas sob suspeita.
Conversas em celular de servidora embasam suspeitas
Parte das provas citadas por Dino foi obtida no telefone de Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, servidora apontada como operadora do esquema. Entre os diálogos reproduzidos, há uma conversa de 12 de setembro de 2025 entre Cunha e Tuca.
No chat, o ex-parlamentar reclama que emendas destinadas a Manhuaçu (MG) estariam sendo atribuídas ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) em vez de a Gilberto Abramo, seu aliado. Cunha pede que Abramo envie um ofício confirmando a autoria das indicações: “Como pôs no Gilberto Abramo, preciso de um ofício dele dizendo que essa emenda é de autoria dele”, escreveu.
Para o ministro, o diálogo “causa estranheza” porque a suposta emenda de Abramo era tratada por Cunha, “e não pelo próprio titular”. Dino afirmou que os indícios demonstram que as indicações eram de fato de Eduardo Cunha, e que atribuir o pedido a outro parlamentar “só agrava o processo de fraude”. O despacho também descreve Abramo como “parceiro político” do ex-presidente da Câmara em Minas Gerais.
Repercussão
Procurado, Gilberto Abramo ainda não se pronunciou. Já Eduardo Cunha declarou, sem citar o colega de partido, que vai contestar a decisão do STF. Sua defesa nega a existência de “mandato clandestino” e afirma que ele não participou formalmente das emendas investigadas.
A apuração é um desdobramento da Operação Transparência, que mira irregularidades no chamado orçamento secreto. Na última sexta-feira (5), a mesma investigação resultou no bloqueio de até R$ 119 milhões do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
O caso segue sob análise do Supremo e da Polícia Federal.
Com informações de InfoMoney

