Datas simbólicas, como o início do ano, de um semestre ou mesmo uma segunda-feira, podem aumentar a disposição para estabelecer e manter novos hábitos, apontam pesquisadores ouvidos pela BBC Future. O fenômeno, chamado de “efeito do recomeço”, foi detalhado por quatro especialistas em comportamento e mudança de hábitos.
Efeito do recomeço
Katy Milkman, professora de economia comportamental na Wharton School da Universidade da Pensilvânia (EUA), relata que buscas por termos como “dieta” e “academia” crescem em períodos de virada — início de semanas, meses ou anos letivos. Segundo ela, rotular um dia como ponto de partida, por exemplo “primeiro dia da primavera”, aumenta a motivação para perseguir metas.
Estudos citados pela pesquisadora mostram que 87% dos norte-americanos que fizeram resoluções de Ano-Novo mantiveram ao menos parte delas após algumas semanas; no Reino Unido, 38% cumpriram todas as metas estabelecidas em 2025 e 33% alcançaram parte dos objetivos.
Formação de hábitos
Para o psicólogo Benjamin Gardner, da Universidade de Surrey (Reino Unido), transformar ações em rotinas automáticas reduz a necessidade de força de vontade constante. A média para que um comportamento vire hábito é de 66 dias, mas o período pode variar de 18 a 265 dias, dependendo da tarefa. A frequência à academia, por exemplo, costuma levar cerca de seis meses para se tornar automática.
Substituir práticas indesejadas
Gardner recomenda trocar hábitos prejudiciais por alternativas positivas. Ele cita pesquisa na qual comportamentos simples — como beber um copo d’água — foram mais facilmente incorporados do que tarefas complexas, como 50 abdominais diários. A substituição direta reduz a probabilidade de recaídas, afirma.
Prazer no processo
Ayelet Fishbach, professora da Booth School of Business da Universidade de Chicago (EUA), acompanhou mais de 2 mil pessoas por um ano e concluiu que a chance de persistir cresce quando a atividade diária ligada à meta é prazerosa. O método conhecido como “associação com tentações”, descrito por Milkman, combina tarefas menos atrativas com algo agradável, como ouvir audiolivros enquanto se exercita. Em estudo, a prática elevou em 35% a adesão a treinos quando feitos na companhia de um amigo.
Queda de motivação no meio do caminho
Fishbach alerta para o “problema do meio”, queda comum de entusiasmo em objetivos de longo prazo. Dividir a meta em etapas semanais ou diárias e monitorar o progresso ajuda a manter o foco. Felix Naughton, professor da Universidade de East Anglia (Reino Unido), acrescenta que metas mensuráveis — como caminhar 8 mil passos por dia durante uma semana — são mais eficazes que propósitos vagos, a exemplo de “ser mais ativo”.
Os especialistas concordam que, ao combinar uma data significativa com objetivos claros, prazer na execução e monitoramento constante, cresce a probabilidade de que o novo comportamento se torne permanente.
Com informações de BBC News Brasil

