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Flávio Dino bloqueia R$ 6 milhões de Eduardo Cunha; ex-presidente da Câmara quer se candidatar por Minas Gerais

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Brasília – O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou em 6 de julho o bloqueio de R$ 6 milhões em bens do ex-deputado federal Eduardo Cunha (Republicanos-MG). A decisão, tornada pública neste domingo (12), atende a pedido da Polícia Federal, que investiga suposto desvio de emendas parlamentares.

Segundo o despacho, a PF identificou ao menos 21 emendas que somam R$ 6,15 milhões e teriam sido direcionadas por Cunha por meio da servidora da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. Apenas parlamentares em exercício podem indicar emendas ao Orçamento, condição que Cunha não possui desde 2016.

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No documento, Dino cita que o ex-presidente da Câmara afirmou contar com “cota informal de valores” destinada a Minas Gerais, estado onde ele pretende disputar uma vaga de deputado federal em 2026. Nascido no Rio de Janeiro, Cunha exerceu quatro mandatos pela bancada fluminense entre 2003 e 2016.

Plano eleitoral

Em maio, o ex-parlamentar anunciou que tentará retornar à Câmara dos Deputados representando Minas. Para ele, o estado “sintetiza o Brasil” pela diversidade e posição geográfica. Nas eleições de 2022, Cunha concorreu por São Paulo e obteve 5.044 votos, insuficientes para se eleger. Sua filha, Dani Cunha (PL-RJ), conquistou 75,8 mil votos e garantiu cadeira na Câmara.

Trajetória e processos

Cunha presidiu a Casa entre fevereiro de 2015 e julho de 2016, período em que aceitou o pedido de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT). Ele teve o mandato cassado por quebra de decoro após negar, em CPI, a existência de contas no exterior — fato posteriormente contestado. Preso em 2016 no âmbito da Operação Lava Jato, foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mas o STF anulou a sentença em 2023.

Defesas

Em nota, a defesa de Eduardo Cunha afirmou que o ex-deputado não foi intimado antes do bloqueio e nega irregularidades. O texto diz que as emendas citadas foram formalmente apresentadas por parlamentares legítimos e que não há indício de que Cunha tenha recebido vantagens financeiras.

A defesa de Mariângela Fialek declarou que a atuação da servidora sempre foi “estritamente técnica, apartidária e impessoal”, dentro das normas do orçamento público. Segundo os advogados, a Polícia Federal busca apenas informações já disponíveis em órgãos oficiais.

A investigação faz parte da Operação Transparência, que também resultou no bloqueio de R$ 119 milhões do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, por suspeita de destinação irregular de emendas.

Enquanto batalha na Justiça, Cunha intensifica articulações políticas em Minas. No início de junho, encontrou-se em Belo Horizonte com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, para discutir temas econômicos e programas sociais.

O processo segue em sigilo no STF, e não há prazo definido para novas diligências.

Com informações de G1

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