O Standard Chartered reafirmou, em relatório divulgado na sexta-feira (10), que o Bitcoin pode alcançar US$ 100 mil até o fim de 2026, mesmo após a recente pressão de mercado causada pelas vendas de BTC realizadas pela Strategy.
Geoffrey Kendrick, chefe global de pesquisa de ativos digitais do banco, avaliou que o recuo do preço da criptomoeda está ligado a um “desafio de comunicação” da Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, e não a problemas estruturais.
Estratégia em transição
A Strategy possui 843.775 BTC, o equivalente a pouco mais de 4 % do limite máximo de oferta de 21 milhões de unidades. Entre 2020 e meados de 2025, o modelo de negócios da companhia baseava-se na emissão de ações para comprar mais Bitcoin, sustentado pela premissa de que os ativos jamais seriam vendidos.
Com a valorização das ações próxima ao valor de mercado dos bitcoins detidos, a empresa passou a migrar para um formato em que a criptomoeda serve de lastro para instrumentos de crédito, em especial a ação preferencial perpétua STRC. O papel rende 12 % ao ano, com pagamentos quinzenais, e tem meta de negociação próxima a US$ 100.
Desde 1º de junho, quando a Strategy comunicou a venda de 32 BTC, o STRC perdeu valor e chegou a registrar mínima intradiária de US$ 71,25 em 26 de junho. Atualmente negocia perto de US$ 90, abaixo do valor de face.
Programa de vendas pontuais
A empresa estruturou um programa que autoriza alienar até US$ 1,25 bilhão em Bitcoin para reforçar a reserva destinada ao pagamento de dividendos e juros. Na semana passada, foram vendidos 3.588 BTC por cerca de US$ 216 milhões, a maior operação desse tipo já realizada pela companhia.
Para Kendrick, a política de “nunca vender Bitcoin” passou a limitar a percepção do mercado sobre o novo modelo. O analista compara a situação a um banco central que ganha credibilidade apenas ao sinalizar que pode agir: se investidores reconhecerem que a Strategy tem capacidade de liquidar BTC como garantia do STRC, a necessidade de novas vendas pode diminuir.
A reserva em dólar destinada aos dividendos do STRC soma US$ 2,55 bilhões, o que representa cobertura para 17,4 meses de pagamentos. O Standard Chartered considera o instrumento “fortemente sobrecolateralizado”.
Divergências entre bancos
Enquanto o Standard Chartered enxerga as recentes vendas como fator neutro de curto prazo, o JPMorgan alertou para um risco de “mão dupla”, já que a Strategy pode ser vista tanto como compradora quanto como vendedora de Bitcoin. Em posição oposta, Zach Pandl, chefe de pesquisa da Grayscale, argumentou que as alienações fortalecem o balanço da empresa e ajudam a estabelecer um piso de preço para a criptomoeda.
Kendrick classifica o episódio apenas como “ruído” de mercado. Com o Bitcoin negociado em torno de US$ 64 mil, o analista mantém recomendação de compra e a projeção de US$ 100 mil até dezembro de 2026.
Com informações de portaldobitcoin.uol.com.br

