O sistema financeiro brasileiro registrou lucro líquido recorde de R$ 255 bilhões em 2025, segundo dados do Banco Central (BC). O resultado foi alcançado em um período marcado pela taxa Selic a 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. A queda dos juros começou apenas em 2026.
Lucro cresce de forma “moderada”, diz BC
Em nota ao g1, o BC avaliou que o avanço do resultado líquido foi “mais moderado” e que a rentabilidade “permaneceu relativamente estável”. O órgão atribuiu o comportamento sobretudo ao aumento das despesas com provisões, que compensou parte do ganho financeiro obtido com juros, afetado pela menor expansão do crédito.
Rentabilidade no maior nível desde 2021
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) dos bancos chegou a 16,76% em 2025, o maior índice desde 2021, quando atingiu 17,55%. Levantamento do Escritório do Superintendente de Instituições Financeiras (OSFI) do Canadá indica que a rentabilidade das instituições brasileiras supera a de pares em economias desenvolvidas, embora a agência destaque que diferenças regulatórias e de mercado dificultem comparações diretas.
Rubens Sardenberg, diretor de Economia da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), afirma que o ROE local está em linha com outros emergentes. Ele cita dados da publicação The Banker que apontam média de 16,5% para os bancos brasileiros entre 2020 e 2024, abaixo de países como México, Peru e África do Sul.
Especialista aponta diversificação e eficiência
Para Einar Rivero, CEO da consultoria Elos Ayta, o setor alcançou novo patamar de lucratividade combinando crédito, serviços, gestão de recursos, seguros e mercado de capitais. Segundo o analista, spreads ainda elevados, redução da inadimplência, concessão de crédito mais criteriosa e ganhos de eficiência decorrentes da digitalização também impulsionaram os resultados.
Impacto do avanço digital
O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região ressalta que, desde 2020, o setor eliminou 31,3 mil postos de trabalho até abril de 2026, dos quais cerca de 25 mil ocupados por mulheres. No mesmo período, o número de agências caiu 37%, para pouco mais de 14 mil. Desde 2015, 638 municípios ficaram sem agência bancária, afetando 6,9 milhões de pessoas, conforme cálculos do Dieese.
Febraban refuta benefício de juros altos
Sardenberg classifica como “equívoco” a ideia de que a Selic elevada favoreça os bancos. De acordo com ele, a alta dos juros encarece a captação, pressiona a inadimplência e limita a expansão do crédito, impactando receitas de financiamentos e de serviços. Citando números do BC, o diretor afirma que 80% do spread bancário resulta de custos com inadimplência (35,4%), despesas administrativas (23,3%) e tributos (21%); a margem financeira representa 20,3%.
Sobre o PIX, o executivo pondera que o sistema de transferências instantâneas amplia a bancarização e reduz custos para clientes, mas avalia que o impacto líquido para as instituições ainda requer estudos.
Com informações de G1

