São Paulo (SP) – A Prefeitura de São Paulo desembolsou R$ 60 mil em estrutura para a transmissão do primeiro jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo, realizada em 13 de julho, na rua Duílio, Lapa, zona oeste. O gasto atendeu a pedido encaminhado pelo vereador Fábio Riva (MDB) e beneficiou diretamente o Bar Tribunal, empreendimento tradicionalmente associado ao ex-atacante e pentacampeão mundial Luizão.
Como o evento foi organizado
Para viabilizar a festa, Riva enviou à Subprefeitura da Lapa um abaixo-assinado solicitando a interdição de um quarteirão da via “para confraternização comunitária”. O documento, porém, foi produzido dentro do Bar Tribunal e não circulou entre moradores; muitos só souberam do bloqueio no próprio dia do jogo.
Na manhã de 13 de julho, o trecho interditado amanheceu com dois telões — um deles a cinco metros da porta do bar —, palco, estrutura para show de pagode, banheiros químicos e gradis que cercaram a calçada onde o estabelecimento instalou mesas. A lotação ultrapassou 250 pessoas, limite que dispensa alvará municipal.
Financiamento apareceu após o evento
Questionada, a gestão municipal não informou imediatamente quem arcara com os custos. Quatro dias depois, em 17 de julho, Fábio Riva protocolou emenda destinando exatamente R$ 60 mil à ONG Instituto Semeadores da Esperança Brasil, do Campo Limpo, responsável formal pela iniciativa. A ordem de serviço, emitida no mesmo dia pela São Paulo Turismo (SPTuris), detalha: R$ 15 mil para os telões, R$ 21 mil para o palco, além de banheiros, gradis e outros itens.
Não há previsão legal para reembolsar despesas de evento já realizado, mas a emenda foi registrada mesmo assim. Segundo especialistas, esse mecanismo — pedir que a SPTuris contrate a estrutura sem documentação pública prévia — é usado para financiar eventos de aliados políticos sem publicidade dos gastos.
Irregularidades apontadas
O parklet em frente ao bar foi transformado em barraca de chope, prática vedada pela legislação que obriga esses espaços a permanecerem acessíveis ao público. A Subprefeitura da Lapa informou não ter fiscalizado a festa. O vereador afirma desconhecer quem montou a barraca e não soube identificar o responsável citado no abaixo-assinado, identificado apenas como Wagner.
Prefeitura defende apoio, mas novas edições são canceladas
Em nota, a administração municipal declarou que o apoio “respeitou todos os procedimentos previstos”, alegando interesse público na transmissão aberta de evento esportivo de alcance internacional. A Secretaria executiva prometeu vistoria para jogos seguintes.
Apesar do posicionamento oficial, Fábio Riva comunicou que não haverá novas etapas da “Brasil Fest”. O motivo, segundo ele, é o sucesso de público, que exigiria alvará para plateia superior a 250 pessoas — documento que o evento não possui.
Procurado, Luizão negou sociedade formal no Bar Tribunal, mas admitiu ser apresentado como proprietário para ajudar o negócio. Ele disse desconhecer o abaixo-assinado e afirmou ter deixado o local antes do início da partida.
Com informações de Metrópoles

