Brasília – A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (17), que uma pistola Glock 9 mm registrada em nome do político foi tornada inoperante por integrantes de sua própria segurança antes de ser enviada a conserto.
No documento, os advogados relatam que a equipe retirou o percussor da arma sem o conhecimento de Bolsonaro. A medida, segundo eles, buscou evitar riscos diante do “quadro de saúde mental” do ex-presidente, que utiliza medicação psiquiátrica e, em novembro de 2025, rompeu a tornozeleira eletrônica durante episódio de alucinação.
Pedido de manutenção
Após testar a pistola e constatar que o disparo não funcionava, Bolsonaro pediu que um militar responsável por sua proteção levasse o equipamento para reparos. A defesa destaca que a entrega teve “única finalidade” de identificar a falha mecânica e que o ex-presidente não pretende reaver a arma enquanto permanecer em prisão domiciliar.
Blitz e apreensão
A pistola foi apreendida na madrugada de segunda-feira (15) durante blitz da Polícia Militar do Distrito Federal, na DF-001, em Taguatinga. O veículo oficial era conduzido pelo sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho, lotado no Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e cedido à Casa Civil para atuar na escolta de Bolsonaro.
Uma consulta ao sistema do Exército confirmou que o registro da arma pertence ao ex-presidente. Apesar da documentação regular, o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) não estava com o motorista, motivo pelo qual o armamento foi recolhido e encaminhado à 21ª Delegacia de Polícia. O militar prestou depoimento e foi liberado.
Determinação de Moraes
Após o episódio, o ministro Alexandre de Moraes deu prazo de 24 horas para que Bolsonaro esclarecesse a situação da pistola apreendida. O caso segue sob investigação da Polícia Civil do Distrito Federal.
Situação prisional
Condenado a 27 anos e 3 meses de reclusão, Bolsonaro cumpre desde 24 de março prisão domiciliar humanitária por 90 dias, decisão tomada por Moraes para que o ex-presidente trate uma broncopneumonia.
Notas oficiais
Em nota, a Polícia Militar informou que o motorista declarara não possuir a documentação da segunda arma encontrada no veículo e que a identificação definitiva cabe às autoridades responsáveis pela investigação.
O Gabinete de Segurança Institucional afirmou que não é responsável pela segurança de ex-presidentes. Segundo o órgão, os servidores que atuam nessa função são escolhidos livremente pelos próprios ex-chefes de Estado e não mantêm vínculo operacional com o GSI.
Com informações de G1

