Um ex-engenheiro da xAI, Devin Kim, ingressou na Justiça da Califórnia alegando ter sido dispensado depois de advertir a direção da empresa sobre falhas de segurança no desenvolvimento do Grok, chatbot criado pela companhia de Elon Musk.
Acusações de retaliação
No processo, Kim afirma que foi afastado após insistir em regras mais rígidas para mitigar riscos associados à inteligência artificial. O documento sustenta que a falta de prioridade em segurança “praticamente garantia” a ocorrência de atos ilegais, citando possibilidade de discriminação e até proliferação de armas de destruição em massa.
Segundo o engenheiro, a demissão ocorreu pouco antes de uma apresentação interna sobre o tema, o que reforçaria o caráter de retaliação. Ele diz ter feito “repetidos” alertas que, de acordo com o relato, não foram levados a sério pela chefia.
Pressão internacional sobre o Grok
O caso surge em meio a diferentes investigações sobre o Grok e suas ferramentas de geração de imagens. Autoridades canadenses apuram supostas violações de privacidade, após denúncias de criação de deepfakes sexualizadas sem consentimento. Órgãos do Reino Unido também passaram a monitorar conteúdos sensíveis produzidos pela plataforma.
Entre os problemas citados por reguladores estão:
- Deepfakes sexualizadas de pessoas reais;
- Uso não autorizado de imagens em contextos manipulados;
- Riscos à privacidade de usuários, inclusive de menores de idade;
- Cobrança por regras mais rígidas de moderação.
Elon Musk declarou não ter conhecimento de conteúdos ilegais gerados pelo sistema. “Não tinha conhecimento de nenhuma imagem de menores de idade nuas gerada pelo Grok. Literalmente zero”, respondeu o bilionário.
Contexto da xAI
Fundada em 2023, a xAI apresenta-se como alternativa a outras big techs do setor de inteligência artificial. O episódio de Devin Kim amplia o debate sobre a velocidade de desenvolvimento dessas tecnologias e a criação de mecanismos efetivos de controle.
Após deixar a empresa, Kim passou a atuar em um centro dedicado à segurança em IA, o que, segundo o processo, demonstra sua preocupação contínua com o tema.
O processo segue em tramitação e ainda não há decisão judicial.
Com informações de Olhar Digital

