Brasília – O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou nesta quinta-feira (4) que os motivos apresentados pelos Estados Unidos para aplicar tarifas a produtos brasileiros “não são legítimos”. Segundo ele, o governo brasileiro já forneceu aos norte-americanos todos os dados necessários para contestar as investigações em curso.
“Entregamos todas as informações. Esperamos que isso seja considerado e fique comprovado que não há razão para sermos alvo de tarifas”, afirmou o chanceler.
Seção 301 em pauta
Vieira informou que o Brasil quer manter o diálogo com Washington após a divulgação dos relatórios finais das duas investigações conduzidas sob a Seção 301 da legislação comercial norte-americana. Os documentos, segundo ele, foram entregues antes do prazo acordado pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump durante encontro realizado em maio, na capital dos EUA.
Possíveis impactos
Uma das investigações concluiu que 60 economias, entre elas o Brasil, não proíbem nem fiscalizam adequadamente a importação de bens produzidos com trabalho forçado. Como resposta, o governo dos EUA propôs uma tarifa extra de 12,5% sobre produtos brasileiros. Há ainda proposta de sobretaxa de 10% para países que já adotam proibições parciais ou firmaram compromissos comerciais, caso da União Europeia.
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) calcula que exportações brasileiras de até US$ 15 bilhões podem ser afetadas se for aplicada uma tarifa de 25%.
Próximos passos
A proposta norte-americana ainda passará por consulta pública. Comentários por escrito poderão ser enviados até 6 de julho de 2026, e o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) realizará audiências no dia seguinte.
Não há data definida para o encerramento das negociações bilaterais. Lula confirmou presença na cúpula do G7, marcada para Evian, na França, mas ainda não está certo se haverá reunião específica com Trump para discutir o tema.
Com informações de G1

