Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quarta-feira (3) que não recebeu comunicação oficial dos Estados Unidos sobre a proposta de sobretaxar produtos brasileiros e que pretende encaminhar uma nova carta ao ex-mandatário norte-americano Donald Trump.
Durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, Lula afirmou ter sido “pego de surpresa” pelo anúncio feito por Washington. Ele relatou que, na última visita aos EUA, acordou com Trump um prazo de 30 dias para que representantes comerciais dos dois países buscassem consenso. Segundo o presidente, o período ainda não expirou.
“Na reunião anterior tivemos divergência entre nossos ministros do Comércio. Sugeri ao Trump que déssemos 30 dias para eles se entenderem. Nada foi concluído até agora, por isso a surpresa com um novo comunicado de taxação”, disse.
Tarifas podem chegar a 37,5%
Na terça-feira (2), investigação de um escritório do governo norte-americano concluiu que 60 países, entre eles o Brasil, não coíbem a importação de itens produzidos com trabalho forçado. Como resposta, foi sugerida tarifa adicional de 12,5% sobre todas as mercadorias desses países. O percentual se somaria à alíquota de 25% proposta em relatório divulgado na segunda-feira (1º), que acusa o Brasil de práticas que “oneram ou restringem” o comércio bilateral. A combinação pode elevar a sobretaxa a 37,5%, próxima dos 40% aplicados no ano passado.
Documentos entregues a Trump
Lula contou ter entregue pessoalmente a Trump quatro documentos considerados “muito importantes” para a relação bilateral, abordando combate a facções criminosas, exploração de terras raras e a guerra no Irã. “Saí convencido de que estávamos estabelecendo nova lógica democrática e civilizada entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou.
Críticas a autoridades dos EUA
Sem poupar críticas, o chefe do Executivo voltou a chamar o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, de “latino-americano frustrado”.
Alvo interno
Sem citar nomes, Lula também atacou políticos brasileiros que, segundo ele, apoiam as taxas com objetivo eleitoral. Chamou de “imbecil” quem acredita que a medida prejudicaria apenas uma candidatura e não a população.
Próximos passos
O presidente disse que enviará nova correspondência a Trump e publicará artigos na imprensa norte-americana e internacional defendendo a posição brasileira. “Escreverei quantos artigos forem necessários para mostrar que eles estão equivocados”, concluiu.
Com informações de G1

