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Governo de Goiás repassou R$ 209 milhões a empresas de investigado por elo com PCC

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Goiânia – Entre 2020 e 2025, o governo de Goiás desembolsou ao menos R$ 209 milhões para companhias controladas ou já controladas por Thiago Telles Batista de Souza, apontado pela Polícia Civil de São Paulo (PC-SP) como integrante de um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Contratos por meio de organização social

Os pagamentos foram feitos indiretamente. O Estado contratou o Instituto de Medicina e Estudos (Imed), organização social responsável por administrar hospitais públicos goianos. O Imed, por sua vez, terceirizou a gestão de oito unidades para diferentes empresas — entre elas, as de Telles, que ficaram com mais de 10% dos R$ 1,4 bilhão repassados pelo Executivo à OS entre 2019 e 2025.

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Uma das unidades geridas pelo instituto é o Hospital do Centro-Norte Goiano (HCN), em Uruaçu. No total, o governo de Goiás transferiu R$ 209 milhões a firmas ligadas a Telles, valor confirmado em registros do Portal da Transparência estadual.

Investigação paulista

Conhecido como “Tom Cruise” — referência ao ator de Top Gun —, Thiago Telles é apontado pelo inquérito da PC-SP como beneficiário final de um esquema financiado com recursos do tráfico de drogas, jogos ilegais e fraudes contra consumidores. Ele foi alvo de busca e apreensão em dezembro de 2024, na Operação Falso Mercúrio; a ofensiva teve nova fase, batizada de Falsa Las Vegas, em 28 de maio deste ano.

Segundo a polícia, Telles comprava grandes volumes de dinheiro em espécie de intermediários da facção para manter as transações fora do radar do Banco Central e do Coaf.

Posicionamento do governo

O ex-governador e pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) afirmou, em nota, que órgãos federais de controle deveriam ter alertado o Estado sobre a ligação de fornecedores das OS com o crime organizado. Já a Secretaria de Saúde de Goiás declarou que a escolha de fornecedores é responsabilidade exclusiva das organizações sociais.

Resposta do Imed e das empresas

O Imed disse desconhecer as investigações e informou que todas as contratações seguem regulamento de compras aprovado pelos órgãos de controle. As empresas mencionadas negaram irregularidades.

Relações sociais e políticas

Caiado elogiou publicamente o Imed em várias ocasiões e chegou a aparecer em eventos oficiais ao lado da advogada Maria Carolina Lazarini Dias, diretora jurídica da organização social. Documentos indicam que uma empresa em nome da advogada também recebeu recursos administrados pelo instituto.

Thiago Telles, o sócio Luiz Fernando Donke e Maria Carolina integraram até o fim de 2024 o comitê gestor do Lide Campinas, entidade de networking comandada por João Doria. O trio deixou o grupo por inadimplência na anuidade, segundo apuração do Metrópoles.

Alerta policial sobre riscos

Relatório da PC-SP sustenta que a participação de empresas sob forte suspeita de crimes em licitações públicas representa “grave risco institucional”, pois pode facilitar o desvio de recursos e a integração de capitais ilícitos na economia formal.

Apesar da suspeita, companhias ligadas a Telles também mantinham contratos com prefeituras paulistas, de acordo com a investigação.

Com informações de Metrópoles

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