O Banco de Brasília (BRB) comprou R$ 30,4 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master a partir de 1º de julho de 2024, segundo planilhas de prestação de contas obtidas via Lei de Acesso à Informação.
Além desse montante, o BRB recebeu R$ 10,8 bilhões em novos ativos em operações de substituição. Nessas transações, a instituição devolvia ao Master carteiras consideradas podres da linha Credcesta e recebia outros créditos no lugar, também avaliados como de baixa qualidade.
Negócios mantidos após alerta de fraude
As aquisições começaram em julho de 2024, distribuídas entre carteiras de crédito de varejo, atacado, CDI, CRI e fundos. Em março de 2025, mesmo após identificar fraudes em parte dos produtos comprados, o BRB continuou negociando e acrescentou mais R$ 20,7 bilhões em ativos do Master.
Interferência do Banco Central
Em setembro de 2025, o Banco Central vetou o pedido do BRB para comprar o próprio Banco Master. Apesar da negativa, o banco brasiliense ainda repassou outros R$ 1,9 bilhão ao Master. As compras seguiram até outubro de 2025, um mês depois da decisão do BC e pouco antes da liquidação do banco controlado por Daniel Vorcaro.
Detalhamento das carteiras
No total, o BRB informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ter realizado 120 aquisições de carteiras de crédito de varejo do Master. A maioria envolve consignados da Credcesta, mas há também operações de PIX Crédito, parcelamento de faturas e empréstimo rotativo.
Em crédito atacado, o BRB adquiriu Cédulas de Crédito Bancário (CCB) emitidas por empresas e por uma pessoa física, o executivo Bruno Lemos Ferrari, da Oncoclínicas. Já em CDI, CRI e fundos, foram registradas 44 operações que totalizam R$ 8,1 bilhões; metade desse valor corresponde a trocas de créditos deteriorados realizadas entre maio e início de agosto de 2025, período em que o Banco Central já sinalizava resistência à compra do Master.
Busca por compradores
Em fevereiro, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, declarou que busca interessados em adquirir toda a carteira oriunda do Banco Master. O conjunto de ativos, comprado por R$ 30,4 bilhões, estava avaliado internamente em R$ 21,9 bilhões.
Com informações de Metrópoles

