A Rise está aplicando tecnologia blockchain para simplificar etapas de emissão, escrituração, custódia e liquidação de títulos de crédito privado no Brasil. A proposta, segundo o fundador e CMO Conrado Grandino, é reduzir processos manuais, diminuir a fragmentação operacional e ampliar a transparência em operações como recebíveis, notas comerciais e debêntures.
“Não viemos para colocar cripto sobre ativos tradicionais ou virar corretora; queremos destravar parte do crédito real, hoje engessado em várias tarefas de back office”, declarou Grandino em entrevista.
Tecnologia própria em duas frentes
A companhia opera com dois pilares: a Rise Network, blockchain institucional que registra movimentações e titularidade dos ativos, e o Rise Engine, sistema que acompanha todo o ciclo de vida das ofertas. A intenção é manter cada emissão totalmente on-chain, do nascimento ao vencimento, permitindo auditoria em tempo real.
Captação e primeiro teste no mercado
Em 2023, a fintech arrecadou R$ 3 milhões em rodada pré-seed liderada pela Moroni Capital, gestora ligada à cofundadora do Banco Original, Katia Moroni, e pelo escritório Carvalho Borges Araujo Advogados (CBA), especializado em ativos digitais. Na sequência, lançou o token BATS001, lastreado em instrumentos musicais e emitido em parceria com a empresa de aluguel de equipamentos BATS.
Mesma dívida, operação diferente
Grandino destaca que a natureza jurídica do crédito não muda: prazos, fluxos de pagamento e garantias continuam iguais aos de uma nota comercial tradicional. A diferença, explica, reside na camada operacional: “Registro de titularidade, custódia e conciliação acontecem on-chain, reduzindo a opacidade do processo”.
Mitigação de riscos e filtros de compliance
Embora a blockchain não elimine risco de inadimplência, a rastreabilidade ajuda a monitorar a saúde da operação. Antes de colocar um ativo no ar, a Rise submete a oferta a análises jurídica, de compliance e de risco conduzidas em conjunto com o CBA.
Desafios para escalar: produto e distribuição
Para o executivo, a regulação brasileira — que inclui a Resolução CVM 88, a Resolução CVM 160, a Lei 14.430 e a Resolução CVM 21 — já permite estruturar ofertas digitais. Os próximos gargalos são criar produtos realmente institucionais, com custódia e escrituração comprovadas, e ampliar a distribuição. Para isso, a empresa conversa com escritórios de investimento e desenvolve a Rise Academy, programa de capacitação para parceiros.
Foco em crédito estruturado, recebíveis, agro e commodities
A estratégia da Rise mira segmentos já validados pelo mercado financeiro tradicional. Crédito estruturado e recebíveis aparecem como prioridade pelo alto volume e arcabouço jurídico consolidado. Agro e commodities também estão no radar, aproveitando o tamanho dessas cadeias no Brasil.
Porta aberta a pequenas e médias empresas
Segundo Grandino, a plataforma pode reduzir custos de captação para companhias de menor porte. O caso BATS ilustra a possibilidade de uma startup emitir dívidas com mais agilidade e transparência do que seria viável em estruturas convencionais.
Da música para a fintech
Ex-baixista da banda NX Zero e apresentador de rádio, Grandino afirma que a experiência em comunicação o ajuda a traduzir conceitos técnicos da blockchain para investidores. “Se a mensagem não for entendida, o erro é meu, não da audiência”, resume.
Com essa abordagem, a Rise pretende fazer da tokenização um mecanismo de eficiência — não apenas um modismo tecnológico —, oferecendo rastreabilidade, auditabilidade e redução de custos em operações de crédito que hoje permanecem nas mãos de grandes instituições.
Com informações de Portal do Bitcoin

