Brasília – A saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho de seu posto nos Estados Unidos, oficializada no início desta semana, ocorreu após uma escalada de críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao líder norte-americano Donald Trump nos últimos meses.
Carvalho, que atuava como adido da PF em Washington, foi retirado do cargo depois de ter participado da operação que resultou na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. A medida coincidiu com a retomada do tom mais duro de Lula em relação a Trump, interrompendo uma trégua que vinha desde 2025.
Trégua rompida
O clima de distensão entre os dois presidentes começou a se formar no ano passado, quando se encontraram na 80ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. Em janeiro de 2026, uma conversa telefônica rendeu convite para visita oficial de Lula a Washington, inicialmente prevista para março. O encontro, porém, foi adiado em razão da guerra no Oriente Médio.
A partir de março, Lula passou a contestar publicamente decisões de Trump, afirmando que o norte-americano “age como imperador do mundo”. Durante viagem oficial à Alemanha, o petista declarou que o colega dos EUA “não foi eleito imperador” e não pode “taxar produtos, punir países e fazer guerra” por meio de mensagens digitais.
Série de declarações
Em entrevistas a veículos brasileiros na semana passada, Lula acusou Trump de “jogo de narrativas” para reforçar a imagem de superioridade dos EUA e classificou como “inconsequente” a postura do republicano na guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Ao jornal espanhol El País, o presidente brasileiro acrescentou que Trump “não tem o direito de acordar de manhã e ameaçar um país”.
O petista também criticou o uso constante das redes sociais pelo chefe da Casa Branca. “Já perceberam que o Trump quer governar o mundo pelo Twitter?”, questionou em discurso recente.
Visita indefinida
Havia expectativa de que Lula viajasse a Washington ainda em abril, mas as negociações foram parcialmente suspensas por conta do conflito no Oriente Médio. Até o momento, não há nova data para o encontro bilateral.
Com informações de Gazeta do Povo

