O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, a intenção do governo de avançar na exploração de petróleo na Margem Equatorial. Durante cerimônia de anúncio de novos investimentos da Petrobras, realizada em São Paulo, Lula argumentou que o Brasil deve “ocupar” a região para evitar futuras reivindicações estrangeiras, citando nominalmente o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Daqui a pouco o Trump acha que a Margem Equatorial é dele e vai lá”, disse o chefe do Executivo, lembrando episódios em que o norte-americano mostrou interesse por territórios como Groelândia, Golfo do México e Canal do Panamá. “Vamos explorar petróleo com a maior responsabilidade ambiental possível e destinar esses recursos ao desenvolvimento do país”, completou.
Potencial de produção
Considerada uma nova fronteira energética, a Margem Equatorial pode gerar até 1,1 milhão de barris diários, volume superior à capacidade atual dos campos Tupi (cerca de 850 mil barris/dia) e Búzios (acima de 900 mil barris/dia), segundo o Ministério de Minas e Energia.
A área, que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, engloba cinco bacias: Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar. A Petrobras interrompeu no início do ano a perfuração inicial no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, após perda de fluido em duas linhas auxiliares. Em outubro de 2025, o Ibama liberou a estatal a retomar a perfuração para pesquisa exploratória.
Crítica à crise de combustíveis
No mesmo discurso, Lula responsabilizou Trump pela escalada de preços gerada pela guerra no Irã. “Estamos usando recursos da Petrobras e do orçamento para proteger o consumidor brasileiro, que não tem culpa desse conflito”, afirmou.
Foco em terras raras
Lula também defendeu que a Petrobras amplie atuação na exploração de terras raras — grupo de 17 elementos químicos essenciais a setores como tecnologia e defesa. O presidente lembrou que o Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses minerais, mas ainda depende de transformar o potencial em cadeia industrial competitiva.
Pela manhã, Lula visitou o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), e declarou que a estatal deve tornar-se “a grande empresa de energia do país”, não apenas de petróleo. Ele disse esperar que os Estados Unidos cooperem com o Brasil nesse campo, sem abrir mão da soberania nacional sobre as riquezas minerais.
Com informações de G1

