O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta terça-feira (21) que poderá determinar a saída de agentes dos Estados Unidos em atuação no Brasil, em resposta à ordem do governo norte-americano que obriga o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho a deixar o território norte-americano.
Em entrevista a jornalistas em Hannover, na Alemanha, onde cumpre agenda oficial, Lula classificou a medida norte-americana como “ingerência” e prometeu reciprocidade. “Se houve abuso contra o nosso policial, vamos fazer o mesmo com o deles no Brasil”, afirmou.
Delegado atuava em Miami
Carvalho está lotado em Miami desde março de 2023, colaborando com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE) na localização de foragidos brasileiros, entre eles o ex-deputado federal Alexandre Ramagem, preso na semana passada. O mandato, inicialmente de dois anos, foi prorrogado até agosto deste ano pelo governo brasileiro.
Na segunda-feira (20), o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental, ligado ao Departamento de Estado, comunicou que o delegado deveria sair do país. Sem citar nomes, o órgão acusou uma “autoridade brasileira” de tentar driblar pedidos formais de extradição para “prolongar perseguições políticas” em solo norte-americano.
Itamaraty e PF aguardam explicações
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que ainda não recebeu notificação oficial de Washington. “A função do delegado está amparada por um memorando de entendimento entre a PF e as autoridades americanas”, explicou, acrescentando que aguarda esclarecimentos.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, destacou que a cooperação policial semelhante é mantida com 34 países e que qualquer decisão sobre retaliação dependerá de resposta formal dos EUA.
Clima tenso antes de visita a Washington
A expulsão do delegado ocorre em meio a críticas públicas de Lula ao presidente norte-americano Donald Trump e às indefinições sobre uma visita oficial do petista a Washington. A viagem, prevista inicialmente para março, foi adiada por causa do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã e segue sem nova data.
Carvalho deve retornar ao Brasil até o fim do dia, segundo fontes do governo.
Com informações de Gazeta do Povo

