Washington, 11 de julho de 2026 – O governo dos Estados Unidos cobrou que o Irã faça uma declaração pública garantindo a livre passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, ponto de escoamento de cerca de um quinto do petróleo comercializado mundialmente. A exigência coincide com a viagem do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, a Omã, neste sábado (11).
De acordo com a imprensa estatal do Irã, Araqchi desembarcou em Mascate para discutir medidas de segurança marítima. Omã atua como mediador nas tentativas de pôr fim ao conflito que, desde 28 de fevereiro, ampliou a instabilidade na região após bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos.
Negociações sob pressão
Na sexta-feira (10), o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que Washington e Teerã concordaram em manter as negociações, embora tenha declarado encerrado o cessar-fogo bilateral. Não houve relatos de novos ataques entre a tarde de sexta e a manhã de sábado, segundo a Reuters.
CBS News e BBC informaram que o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump, devem representar os Estados Unidos nas conversas com Araqchi. A agência Reuters não conseguiu confirmar a participação nem se o encontro será presencial ou virtual. Horas depois, a agência iraniana Fars noticiou que não haverá diálogo enquanto Washington não reavaliar sua posição.
Escalada recente
Araqchi acusa os Estados Unidos de terem violado o cessar-fogo ao revogar, na terça-feira (7), a licença para venda de petróleo bruto iraniano, decisão tomada após disparos contra três navios-tanque do Catar e da Arábia Saudita no início da semana. Em resposta aos ataques, forças norte-americanas atingiram instalações iranianas, e Teerã lançou mísseis contra bases dos EUA em países do Golfo.
Embora o Irã não reconheça autoria sobre as ofensivas contra embarcações, autoridades norte-americanas afirmaram na sexta-feira que representantes iranianos atribuíram os disparos a uma “falha de sistema”.
Impacto político e econômico
A continuidade dos confrontos pressiona os preços globais do petróleo e coloca em risco o acordo provisório firmado no mês passado para suspender as hostilidades. O tema é sensível para Trump às vésperas das eleições legislativas de novembro.
Em publicação na Truth Social, o presidente declarou ter autorizado as Forças Armadas a prepararem um ataque “com mil mísseis” caso o Irã tente assassiná-lo, ameaça que teria sido detectada por serviços de inteligência israelenses e relatada ao governo norte-americano. Teerã não comentou as acusações.
Mortes e funeral de Khamenei
Segundo o Ministério da Saúde iraniano, bombardeios norte-americanos contra seis cidades na quarta (8) e quinta-feira (9) deixaram ao menos 17 mortos e 115 feridos. Na quinta, o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, morreu em um ataque aéreo no primeiro dia da guerra. Durante o funeral, realizado na sexta-feira, manifestantes exibiram faixas ameaçando Trump.
Próximos passos
Washington condiciona novas tratativas a um compromisso público de Teerã de não atacar navios nem impor tarifas de passagem no Estreito de Ormuz. O porta-voz da chancelaria iraniana respondeu que qualquer violação de acordos por parte dos Estados Unidos gerará “ação recíproca”.
O entendimento preliminar assinado no mês passado pretendia abrir caminho para o fim do conflito, mas os combates permanecem.
Com informações de Exame

