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Dia Nacional do Funk chega em 2025 sob avanço de propostas para restringir o gênero

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Neste domingo, 12 de julho, o país celebra o Dia Nacional do Funk, data instituída por lei em 2024. A homenagem ocorre enquanto parlamentares de diferentes esferas apresentam projetos que buscam limitar bailes e a atuação de artistas ligados ao ritmo.

Crescimento de propostas restritivas

Levantamento da Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial mostra que, somente no primeiro semestre de 2025, foram protocolados 63 projetos de lei com foco em restringir manifestações culturais associadas ao funk. O volume representa quase metade de todas as iniciativas semelhantes registradas desde 2002.

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Entre as proposições mais comentadas está o Projeto de Lei “Anti-Oruam”, apresentado pela vereadora paulistana Amanda Vettorazzo (União Brasil). O texto proíbe a prefeitura de contratar shows que, na avaliação da autora, façam apologia ao crime organizado ou ao uso de drogas — associação que a parlamentar costuma vincular ao funk em suas redes sociais.

Popularidade em alta

Apesar das tentativas de restrição, o ritmo segue em expansão. De acordo com o relatório Loud & Clear, o funk foi o gênero que mais cresceu no Spotify global em 2025, com aumento de 36% no número de reproduções.

Raízes de perseguição

Para pesquisadores, a rejeição ao funk repete ciclos históricos de criminalização de manifestações culturais periféricas e de matriz africana. O musicólogo Thiagson lembra que o samba e a capoeira passaram por processos semelhantes antes de serem reconhecidos como símbolos nacionais.

Além da “putaria”

Letras com conteúdo sexual aberto, característica do chamado funk putaria, costumam ser usadas por críticos do gênero como justificativa para projetos de proibição. Artistas como Tati Quebra Barraco destacam, porém, que o ritmo abrange vertentes como o funk consciente e o melody, retratando temas que vão da realidade das favelas às relações afetivas.

O cantor Kevin o Chris, responsável pelo hit “Tá OK”, reforça que o funk “é música” e que as letras refletem vivências dos compositores. Ele acrescenta que a comunidade mantém o gênero vivo independentemente de editais ou contratos oficiais: “A comunidade nunca vai acabar, então o funk nunca vai morrer”.

Dados da New Musical Express indicam que, em 2026, apenas 13% das faixas do Top 50 do Spotify receberam classificação de conteúdo explícito, contra 74% em 2018. Ainda assim, o funk preserva canções com temática sexual como marca do movimento.

Enquanto o ritmo ganha espaço nas plataformas digitais e nas pistas de dança, segue o embate em assembleias, câmaras e redes sociais sobre o lugar do funk no cenário cultural brasileiro.

Com informações de Metrópoles

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