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Safra 2026 pressiona cotações do trigo no Brasil em meio à oferta da Argentina e a chuvas no Sul

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O mercado brasileiro de trigo terminou a semana de 09 de outubro com negócios escassos e valores em queda, reflexo do ingresso gradual da nova safra e da concorrência do cereal argentino. Compradores adotam postura seletiva, enquanto problemas climáticos no Rio Grande do Sul elevam a incerteza sobre volume e qualidade da produção.

Diferença de preços trava negociações

De acordo com o analista Thiago Oleto, da Safras & Mercado, o descompasso entre as ofertas dos moinhos e os pedidos dos vendedores impede o fechamento de contratos. A disponibilidade de trigo apto à moagem segue como ponto crucial para as transações.

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Paraná recua para R$ 1.500 a tonelada

No Paraná, as indicações de compra caíram para cerca de R$ 1.500 por tonelada, enquanto produtores pedem em torno de R$ 1.550. A colheita avança e aumenta a oferta física, mas os lotes de melhor qualidade permanecem restritos, pois parte do volume das cooperativas já está comprometida.

Argentina limita valorização no Rio Grande do Sul

O trigo argentino pressiona as cotações do cereal gaúcho remanescente da safra passada. Ofertas do produto importado chegaram a US$ 304/t em Rio Grande e US$ 310/t em Canoas. Com o câmbio de R$ 5,02, a paridade em Canoas ficou em torno de R$ 1.556/t, dificultando negócios acima de R$ 1.550 e reduzindo o interesse dos moinhos em pagar R$ 1.600 pelo grão velho. Para a nova safra, houve operações pontuais entre R$ 1.380 e R$ 1.400 por tonelada, conforme qualidade.

Chuvas afetam lavouras gaúchas

Levantamento da Emater indica colheita em 4 % da área no Rio Grande do Sul. As lavouras estão 60 % em enchimento de grãos e 27 % em maturação. Chuvas frequentes, alta umidade, baixa luminosidade, granizo e ventos fortes provocam acamamento, debulha de espigas e danos reprodutivos, além de riscos ao peso hectolitro, à germinação pré-colheita e a doenças fúngicas.

Qualidade definirá preços

Com a colheita ainda no início, o mercado precisa de mais amostras para calibrar preços e aferir a qualidade real. Caso aumente a oferta de trigo dentro das especificações da indústria, a pressão baixista tende a crescer; se o volume de grão superior permanecer limitado, a diferença de preço entre lotes pode se ampliar.

Importações podem chegar a 9 milhões de toneladas

A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) projeta importação próxima de 9 milhões de toneladas no ciclo atual, acima da estimativa inicial de 7,5 milhões. Para o Rio Grande do Sul, a Conab calcula produção de 2,2 milhões de toneladas em 2026, queda de 36,8 % ante o ciclo anterior. As adversidades climáticas e as dúvidas sobre qualidade mantêm a indústria atenta ao abastecimento.

Com informações de Portal do Agronegócio

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