O mercado de soja terminou a semana de 14 de agosto praticamente estável depois da divulgação dos novos relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os documentos confirmaram volumes elevados de produção no Brasil e aumentaram levemente a estimativa para a safra norte-americana, enquanto exportadores e investidores mantêm a atenção voltada para o ritmo de compras da China e para as condições climáticas nas lavouras dos Estados Unidos.
Produção dos EUA sobe para 123 milhões de t
No relatório de agosto, o USDA projetou a produção norte-americana em 4,519 bilhões de bushels (cerca de 123 milhões de toneladas) na temporada 2026/27, acima dos 4,475 bilhões de bushels estimados em julho. A produtividade média foi ajustada de 53 para 52,7 bushels por acre.
Os estoques finais dos EUA passaram para 320 milhões de bushels (8,71 milhões de toneladas), superando os 310 milhões do levantamento anterior. Para o esmagamento, a previsão aumentou para 2,78 bilhões de bushels, enquanto as exportações permaneceram em 1,66 bilhão.
Balanço global ainda confortável
Mundialmente, a produção de soja foi projetada em 442,25 milhões de toneladas para 2026/27, pouco acima dos 441,7 milhões indicados em julho. Os estoques finais globais ficaram em 124,21 milhões de toneladas.
Brasil preserva marca de 180 milhões de t
Para o Brasil, o USDA manteve a projeção de 180,5 milhões de toneladas em 2025/26 e de 186 milhões em 2026/27. A Conab, por sua vez, confirmou 180,464 milhões de toneladas para a safra 2025/26, volume 5,2% superior ao ciclo 2024/25.
O órgão brasileiro estima área plantada de 48,61 milhões de hectares, avanço de 2,7%, e produtividade média de 3.712 quilos por hectare, crescimento de 2,5% em relação à temporada anterior.
Demanda chinesa segue determinante
O USDA manteve as importações da China em 113 milhões de toneladas para 2025/26 e em 115 milhões para 2026/27. O ritmo dessas compras, especialmente dos Estados Unidos, continua a influenciar os preços na bolsa de Chicago.
Fatores domésticos sustentam preços no Brasil
Internamente, a combinação de dólar valorizado, prêmios firmes nos portos e recuperação das cotações internacionais favoreceu negócios ao longo da semana.
Próximos eventos
A partir da próxima segunda-feira, o Crop Tour da Pro Farmer percorrerá importantes regiões produtoras norte-americanas para medir o potencial de produtividade da safra 2026/27, podendo ajustar as expectativas de oferta. O mercado também monitora o comportamento do petróleo e os desdobramentos do conflito no Mar Negro, fatores que podem impactar indiretamente as cotações de grãos.
Com oferta ainda considerada ampla, o setor segue atento à demanda asiática, ao clima nos Estados Unidos e às oscilações cambiais, variáveis que devem continuar a orientar as decisões de venda dos produtores brasileiros.
Com informações de Portal do Agronegócio

