O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, dispensou nesta terça-feira (21/7) o comandante-em-chefe das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi, aprofundando a crise interna que já havia provocado manifestações de rua contra a saída do ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov.
Troca no alto comando
Syrskyi, de 60 anos, foi substituído pelo general Mykhailo Drapatyi, 43, veterano de combate e considerado parte de uma geração mais jovem de oficiais. Em mensagem divulgada nas redes sociais, Zelensky agradeceu ao ex-comandante pelo papel decisivo na defesa de Kiev durante os primeiros dias da invasão russa em 2022.
Protestos e rumores
A destituição ocorre poucos dias depois da substituição de Fedorov, 35, elogiado por modernizar o ministério e combater a corrupção. Ele foi trocado na semana passada por Yevhenii Khmara, ex-alto funcionário do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU). A decisão desencadeou protestos em Kiev e em outras cidades, com manifestantes exigindo a reintegração de Fedorov e a demissão de Syrskyi, visto como adepto de táticas herdadas da era soviética.
No fim de semana, imprensa local informou que Zelensky consultava ministros e generais em busca de uma solução. Horas antes do anúncio oficial, o chefe de gabinete da Presidência, Kyrylo Budanov, pediu calma à população, alertando que “o inimigo observa nossas disputas internas”.
Oferta de novo cargo
Zelensky afirmou ter se reunido com Fedorov e oferecido a ele uma “posição relevante no governo”, sem confirmar se o convite foi aceito.
Reação dos envolvidos
Pressionado, Syrskyi publicou artigo defendendo seu histórico militar e negando conflito com Fedorov. Alegou ter criado uma força de sistemas não tripulados, mas disse ser impossível transformar “um exército de um milhão de homens em drones em dois meses”. Já Fedorov é visto, sobretudo pelos mais jovens, como símbolo de inovação nas Forças Armadas.
Possíveis substitutos
Além de Drapatyi, nomes cogitados para o posto incluíam Andriy Biletskyi (46), Oleh Apostol (39) e Ihor Obolenskyi (39). Todos pertencem a uma geração que defende mudanças rápidas na condução da guerra.
A crise continua a ser acompanhada de perto pela sociedade ucraniana, que aguarda os próximos passos do governo em meio ao conflito com a Rússia.
Com informações de BBC News Brasil

