Os papéis da Vale (VALE3) registravam leve avanço de 0,30%, a R$ 74,23, por volta das 13h50 desta quarta-feira (15). A movimentação reflete a combinação de sinais opostos: desaceleração econômica na China, principal mercado da mineradora, e valorização do minério de ferro diante de preocupações com oferta.
Dados chineses abaixo da meta
A China informou na véspera que o Produto Interno Bruto cresceu 4,3% no segundo trimestre de 2026 frente a igual período de 2025, ritmo mais fraco em três anos. O resultado ficou abaixo dos 5,0% verificados no primeiro trimestre e do piso da meta anual, estabelecida entre 4,5% e 5,0%.
Para o Bradesco BBI, a atividade chinesa perdeu força no período, com recuo nos investimentos em ativos fixos, nos gastos com infraestrutura e no setor imobiliário, apesar de alguma melhora na produção industrial e nas vendas no varejo.
Minério sobe com risco de oferta
O suporte às ações veio do minério de ferro, que atingiu máxima de várias semanas após trabalhadores da BHP anunciarem greve em um importante porto australiano. O contrato para setembro na Bolsa de Dalian avançou 1,13%, a 762 iuanes (US$ 112,59) por tonelada, tendo tocado 785,5 iuanes, maior nível desde 17 de junho. Em Cingapura, a referência para agosto subiu 0,59%, para US$ 100,70, maior patamar desde 2 de julho.
Por outro lado, a Rio Tinto reportou aumento nos embarques trimestrais, sinal que pode limitar novas altas de preço, segundo a corretora chinesa Business Community.
Recomendações de bancos
O Bradesco BBI mantém recomendação outperform para Vale, prevendo recuperação dos preços do aço no fim de agosto. A XP tem indicação neutra e preço-alvo de R$ 85. Já o BTG Pactual reitera compra, com preço-alvo de R$ 90 e projeção de yield de fluxo de caixa de 9% em 2026.
Troca no Conselho
O BTG também comentou o pedido da Previ, em 11 de junho, para saída de Dan Stieler da presidência do Conselho. Após recusa inicial e votação desfavorável em 22 de junho, Stieler deixou o cargo em 6 de julho. O colegiado elegeu Wilfred Theodoor Bruijn como presidente interino até a Assembleia Geral Extraordinária de 22 de julho.
Próximos resultados
A Vale divulga em 30 de julho o balanço do segundo trimestre. O Safra projeta Ebitda ajustado de US$ 3,8 bilhões, queda de 2% ante o trimestre anterior, pressionado por menor preço médio do minério (US$ 95/t) e custos C1 mais altos. Para metais básicos, o banco estima avanço de 17% no Ebitda, sustentado por cobre e níquel.
O Itaú BBA vê Ebitda proforma em US$ 3,63 bilhões, recuo de 7% na comparação trimestral. O segmento de ferrosos deve sentir aumento de custos para US$ 30,1/t, enquanto metais básicos podem encolher 11%, para US$ 1,06 bilhão.
Visão do mercado
Levantamento da LSEG mostra oito recomendações de compra e sete neutras para VALE3. Nos recibos negociados em Nova York (ADRs), 13 casas indicam compra e 12 manutenção, de um total de 25 avaliadoras.
Com a combinação de indicadores chineses fracos e cotação do minério em alta, analistas seguem divididos quanto ao comportamento das ações nas próximas semanas.
Com informações de InfoMoney

