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Casal britânico poupa por uma década e se aposenta aos 35 e 40 anos

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Viver com o mínimo possível e investir cada centavo extra permitiu que o britânico Alan Donegan, hoje com 47 anos, e a mulher, Katie, de 42, deixassem o mercado de trabalho ainda jovens. Ele encerrou a carreira aos 40 anos; ela, aos 35, depois de acumular cerca de £1 milhão (R$ 6,9 milhões).

Rotina frugal para cortar despesas

Durante dez anos, o casal evitou gastos considerados corriqueiros. No inverno, preferia vestir mais roupas e usar bolsas de água quente em vez de ligar o aquecimento da casa, no sul da Inglaterra. No trabalho, nunca comprava almoço: sempre levava marmita — hábito que, segundo Alan, gerou uma economia de £40 mil (R$ 274 mil) em uma década.

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A busca por poupar incluía carregar o celular fora de casa e recolher cupons de desconto descartados por outras pessoas. “Cada libra investida nos aproximava da liberdade”, explica Katie.

Renda confortável, gastos mínimos

Antes da aposentadoria, Alan atuou como paisagista e depois abriu um negócio de treinamento e coaching; em 2014, recebia cerca de £63 mil (R$ 432 mil) anuais. Katie trabalhava como avaliadora de riscos em uma empresa financeira e ganhava £58 mil (R$ 397 mil) ao ano. Quase toda a renda era aplicada em investimentos.

O movimento FIRE ganha adeptos

Os Donegan fazem parte do FIRE — sigla em inglês para “Independência Financeira, Aposentadoria Antecipada”. O principal fórum do movimento no Reddit soma quase 1 milhão de integrantes, e bancos tradicionais já produzem guias sobre o tema. A lógica é simples: viver com extrema austeridade para se aposentar o quanto antes.

Exemplo internacional

A norte-americana Amy Minkley, de 49 anos, também abraçou a filosofia. Professora de ensino médio, ela trabalhou em escolas internacionais de Japão, Singapura, Índia e Tailândia, onde dizia ganhar até US$ 6,3 mil (R$ 32,2 mil) mensais com custo de vida reduzido. Foi assim que conseguiu se aposentar aos 44 anos. Hoje vive em Bali, na Indonésia, onde o poder de compra de sua renda é maior do que seria nos Estados Unidos.

Aposentadoria média segue alta

Embora o FIRE atraia atenção, a realidade global ainda aponta para aposentadorias tardias. No Reino Unido, a idade média chegou a 65,8 anos para homens e 64,7 para mulheres em 2023. Nos Estados Unidos, projeções indicam que, em 2025, as médias serão de 64,8 anos para homens e 63,3 para mulheres. No Brasil, segundo levantamento do pesquisador Rogério Nagamine, a concessão de benefícios ocorreu, em 2024, aos 57 anos para homens e 56 para mulheres; a reforma da Previdência de 2019 fixou idades mínimas de 65 e 62 anos, respectivamente.

Visões de especialistas

Para a estrategista Carol Schleif, da BMO Private Wealth, muitos preferem equilibrar carreira e qualidade de vida em vez de buscar aposentadoria ultrarrápida. Já Sarah Coles, da plataforma britânica AJ Bell, lembra que adotar totalmente o FIRE é difícil, mas alguns princípios — como poupar cedo e elevar contribuições após cada aumento salarial — podem antecipar a saída do trabalho.

Caminhos intermediários

Dessa discussão surgiram variações, como o chamado “FIRE Barista”, no qual a renda de investimentos cobre grande parte das despesas e o restante é obtido em emprego de meio período. Mesmo assim, defensores da frugalidade extrema, como Minkley, sustentam que gastar menos do que se ganha, investir a diferença e dar tempo para o dinheiro se multiplicar continuam sendo os pilares do movimento.

Com informações de BBC News Brasil

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