O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu, em investigação baseada na “Seção 301”, que o Brasil adota práticas consideradas desleais em setores como o sistema de pagamentos Pix e o comércio popular da rua 25 de Março, em São Paulo. Como consequência, Washington ameaça aplicar uma tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras.
Diante do risco de retaliação, o Itamaraty encaminhou ao governo norte-americano documento defendendo os interesses do país e propondo negociação. Paralelamente, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro enviou carta aos Estados Unidos solicitando que a cobrança seja adiada por 180 dias — período que ultrapassa o calendário eleitoral brasileiro. No texto, ele argumenta que o aumento imediato das tarifas favoreceria politicamente o governo em exercício.
O pedido do parlamentar prevê, ainda, mudanças como restrições ao Pix e à participação do Brasil no Mercosul, na tentativa de convencer a gestão de Donald Trump a postergar o tarifaço. As propostas e seus possíveis efeitos diplomáticos foram tema do episódio 1.754 do podcast “O Assunto”, apresentado por Natuza Nery.
No programa, o cientista político Guilherme Casarões, professor da Florida International University (EUA) e coordenador do Observatório da Extrema Direita, avaliou que iniciativas paralelas podem criar ruídos durante a negociação oficial conduzida pelos governos. Ele falou diretamente dos Estados Unidos.
O episódio também destacou que Flávio Bolsonaro viajou ao país para participar de audiência pública sobre o tema, enquanto opositores classificam a carta como “munição” para o Palácio do Planalto reforçar discurso de soberania nacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o pedido, chamando a família Bolsonaro de “traidores da pátria”.
Desde sua estreia em agosto de 2019, “O Assunto” acumula mais de 168 milhões de downloads nas plataformas de áudio e ultrapassa 14,2 milhões de visualizações no YouTube.
Com informações de G1

