Kiev, 2 jul — A recente série de investidas da Ucrânia contra instalações estratégicas na Crimeia e em território russo levou o governo local da península a decretar estado de emergência e a racionar combustível, energia elétrica e alimentos para os 2,4 milhões de habitantes.
Escassez iminente
O chefe da Crimeia, Sergei Aksyonov, alertou em pronunciamentos públicos que, “em futuro próximo”, o abastecimento de gasolina nos postos deve se esgotar. O governador de Sebastopol, Mikhail Razvozhayev, prevê que as restrições duren aproximadamente um mês enquanto coordena, com Moscou, o aumento no envio de combustíveis.
Alvos dos ataques
Segundo o Ministério da Defesa da Ucrânia, a campanha destruiu 11 refinarias, 7 centros logísticos de combustível, estações de comunicação espacial, navios e balsas. Na Crimeia, a Diretoria Principal de Inteligência informa a neutralização de um radar de vigilância, 6 aviões-tanque, 2 locomotivas, 3 vagões-cisterna e equipamentos militares que viajavam em comboio.
A ponte que liga a Crimeia ao território russo, fundamental para o envio de suprimentos a tropas na Ucrânia ocupada, também foi atingida, agravando a crise logística.
Drones em destaque
A ofensiva se apoia fortemente em veículos aéreos não tripulados. O Ministério da Defesa russo reconheceu, em maio, o lançamento de cerca de 600 drones ucranianos contra alvos dentro da Rússia e na península anexada. O esforço é resultado do programa “Army of Drones”, iniciado em 2022 pelas Forças Armadas ucranianas em parceria com o Ministério da Transformação Digital, hoje chefiado pelo ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov.
Pressão por negociações
Especialistas ouvidos pelo Metrópoles avaliam que Kiev pretende, além de enfraquecer a capacidade militar russa, forçar a retomada das negociações de paz paralisadas desde o início do ano. “Trata-se de uma campanha sobre infraestrutura estratégica para criar pressão na liderança russa”, disse Sandro Teixeira, professor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro.
Resposta de Moscou
O chefe do Estado-Maior russo, Valery Gerasimov, declarou que 29 localidades ucranianas — totalizando 636 km² — foram ocupadas no último mês. O Kremlin também ameaçou ampliar a zona de ocupação caso os bombardeios contra infraestruturas russas prossigam.
Enquanto o impasse militar continua, moradores da Crimeia convivem com bombas nos céus e filas nos postos de combustível, aguardando que o reabastecimento chegue pelas rotas ainda controladas por Moscou.
Com informações de Metrópoles

