O Irã abriu neste sábado, 4 de julho, as cerimônias públicas do funeral do aiatolá Ali Khamenei, antigo líder supremo assassinado em 28 de fevereiro durante ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel. O cortejo, organizado após um atraso de quatro meses por causa da guerra, foi descrito pelo governo como “o funeral do século”.
Programação em várias cidades
As homenagens começaram na quinta-feira, 2 de julho, com um ato restrito a autoridades iranianas, líderes religiosos e delegações estrangeiras em Teerã. A partir de hoje, milhares de pessoas são esperadas na Grande Mosalla da capital para o início dos ritos abertos ao público.
O cronograma prevê seis dias de cerimônias que percorrerão centros religiosos estratégicos:
- Teerã – vigílias e cortejo na Grande Mosalla;
- Qom e outras cidades iranianas – atos religiosos e militares;
- Najaf e Karbala (Iraque) – passagem pelo santuário do imã Ali e pelo mausoléu do imã Hussein;
- Mashhad – sepultamento no Santuário do Imã Reza, na cidade natal de Khamenei.
Segurança sem precedentes
Para proteger os cortejos, o governo mobilizou Guarda Revolucionária, polícia e milícia Basij, além de barreiras de concreto e sistemas de monitoramento. A expectativa é de receber mais de um milhão de participantes ao longo da semana.
Presenças internacionais e ausências notáveis
Delegações de Rússia, China, Iraque, Paquistão, Líbano e de outros aliados confirmaram presença. O atual líder supremo, Mojtaba Khamenei, não participará dos atos públicos. Autoridades alegam risco de atentado e possível rastreamento de sua localização por Israel.
Vida e legado do aiatolá
Nascido em 1939, em Mashhad, Ali Khamenei assumiu o posto máximo da República Islâmica em 1989, após a morte de Ruhollah Khomeini. Durante 36 anos, concentrou poder sobre forças armadas, Judiciário, Parlamento e serviços de inteligência, mantendo postura de confronto com o Ocidente e endurecendo a repressão interna. Casado com Mansoureh Khojasteh Baqerzadeh, deixa seis filhos. O comando do país passou para seu segundo filho, Mojtaba.
A série de cerimônias encerra um capítulo central da história iraniana e marca a transição oficial para a nova liderança em meio a tensões contínuas com Washington e Tel Aviv.
Com informações de Metrópoles

