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Sanção dos EUA antecipou operação da PF e dificultou prisão de empresário ligado ao PCC, diz diretor-geral

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Brasília – O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (3) que a penalidade imposta pelos Estados Unidos na última quarta (1º) a brasileiros suspeitos de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) obrigou a corporação a antecipar a Operação Exchange. Segundo ele, a divulgação da lista americana atrapalhou a captura do empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, considerado foragido.

“Houve uma antecipação. Se a designação não tivesse sido anunciada, talvez o desfecho fosse outro e localizássemos essa pessoa, mas infelizmente não localizamos”, declarou Rodrigues durante conversa com jornalistas na sede da PF, em Brasília.

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Mandados e alvos

A ação desta sexta-feira cumpriu 7 dos 11 mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça. Entre os detidos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, parente de Shimada e também incluída nas sanções norte-americanas. Além das prisões, 13 ordens de busca foram executadas em São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. A Justiça ainda determinou o bloqueio de bens, valores e criptoativos dos investigados até o limite de R$ 10,4 bilhões.

Acusações

O Departamento do Tesouro dos EUA descreveu Shimada como “elo-chave” entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais. Ele é acusado de lavar mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) usando criptomoedas para enviar recursos ilícitos ao Brasil, além de praticar outros crimes financeiros. Stella, segundo as autoridades americanas, atuava como secretária e intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, oferecendo logística para o esquema.

Com a sanção, ativos mantidos nos Estados Unidos pelos alvos ficam congelados, e empresas controladas direta ou indiretamente em pelo menos 50% pelos investigados também têm patrimônios bloqueados.

Histórico do principal suspeito

Rodrigues lembrou que Shimada já havia sido preso em 2024 em operação da própria PF e foi condenado pela Justiça Federal em 2025. Para evitar identificação, ele usava o apelido “o Japa”, enquanto Stella era chamada de “Lara Croft”, apontam as investigações.

Modus operandi

De acordo com a PF, o grupo mantinha um esquema estruturado para movimentar recursos do tráfico internacional de drogas por meio de transferências ilícitas de criptoativos, transporte de dinheiro em espécie, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas. Os investigados podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Defesa

O advogado Yuri Cruz, do escritório Marcelo Cruz Advocacia Criminal, que defende Shimada, informou ter tomado conhecimento da operação “há instantes” e ainda não ter acesso às decisões judiciais. Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, ele disse que o empresário é alvo de mandado de prisão temporária e avalia a possibilidade de se apresentar à polícia.

As investigações continuam para localizar Shimada e identificar outros envolvidos no esquema de lavagem de dinheiro.

Com informações de G1

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