O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca neste domingo, 14 de junho, para Évian-les-Bains, na França, onde participará da cúpula de líderes do G7 marcada para terça-feira, 16. O Palácio do Planalto trabalha com a expectativa de um encontro informal entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apesar de não haver reunião bilateral previamente agendada.
Estrategia do governo
A equipe brasileira quer garantir a presença de Lula já na segunda-feira, 15, primeiro dia do evento. A decisão leva em conta a possibilidade de Trump repetir o comportamento observado na edição anterior, no Canadá, quando permaneceu apenas na abertura do encontro.
Não houve solicitação oficial do Itamaraty nem da Casa Branca para uma agenda exclusiva. Mesmo assim, auxiliares do presidente avaliam que a ausência de pedidos formais não impede uma conversa entre os dois líderes.
Contexto comercial
O eventual diálogo acontece em meio a uma nova ofensiva de Washington contra produtos brasileiros. Caso todas as medidas sejam implementadas, a carga tarifária poderá chegar a 37,5%. Dentro do governo, a sobretaxa adicional de 25%, sustentada por alegações de práticas comerciais desleais, é considerada reversível por negociação. Já a tarifa de 12,5%, atrelada à suposta falta de ações contra o trabalho forçado, é vista como praticamente definida.
Outras reuniões bilaterais
Além da eventual conversa com Trump, Lula tem compromissos já acertados:
- Encontro com o anfitrião Emmanuel Macron, presidente da França, na segunda-feira, 15;
- Reunião com Valdecy Urquiza, secretário-geral da Interpol;
- Bilateral com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, na terça-feira, 16;
- Encontro com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, antes da cerimônia oficial de chegada ao G7.
Lula também pretende conversar de forma menos formal com líderes de Alemanha, Canadá, Itália e Reino Unido.
Pauta na cúpula
Convidado desde que voltou ao Planalto em 2023, o chefe de Estado brasileiro deve criticar medidas protecionistas e ações unilaterais, como o aumento de tarifas proposto pelos EUA, sem direcionar ataques pessoais a Trump. Durante um almoço dedicado à inteligência artificial, Lula pretende afirmar que o Brasil mantém portas abertas a empresas de tecnologia que operem em conformidade com a legislação nacional.
Na preparação para o encontro, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou o país em reunião comandada por Macron e defendeu maior protagonismo de organismos como a Organização Mundial do Comércio (OMC) diante do avanço de medidas unilaterais.
O G7 reúne Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão. O Brasil não é membro do grupo, mas participa como convidado.
Com informações de G1

