O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que impedir a influência de facções criminosas e milícias no processo eleitoral será uma das principais metas do Ministério Público em 2026. A declaração foi feita em entrevista ao podcast EsferaCast, divulgada na quarta-feira, 10 de junho.
“O Estado brasileiro não pode conviver com estados paralelos montados e dirigidos por organizações criminosas”, disse Gonet. Segundo ele, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acompanham situações de abuso de poder político e econômico por parte desses grupos, incluindo casos em que facções impedem candidatos de fazer campanha em áreas dominadas.
Classificação de facções como terroristas nos EUA
Questionado sobre a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, o procurador reconheceu que a medida pode prejudicar a imagem do Brasil. Ainda assim, avaliou que o ato “estimula todos os atores do poder público a se unirem” no combate ao crime organizado. Para ele, o momento exige o fim do “ciúme institucional” e a intensificação do diálogo entre os órgãos responsáveis.
Desafios da inteligência artificial
Além das facções, Gonet apontou a inteligência artificial como um novo risco para a integridade das campanhas. Ele admitiu a dificuldade técnica de identificar conteúdos falsos gerados por IA em tempo real. “Será feito caso a caso. Vamos ter parâmetros abstratos e confrontar os casos com esses parâmetros”, explicou, garantindo que a PGR atuará de forma imediata diante de indícios de deepfakes.
Gonet reiterou que todos os órgãos de controle eleitoral trabalham “em conjunto para um fator primordial da vida civilizada: a existência de um Estado comprometido com os valores democráticos”.
Com informações de Gazeta do Povo

