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Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras e vira alvo de disputa entre China e Estados Unidos

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A corrida por tecnologias de baixo carbono e por componentes eletrônicos de alto desempenho colocou o Brasil no centro de um tabuleiro geopolítico. Com a segunda maior reserva mundial de terras raras — conjunto de 17 elementos químicos usados em motores de carros elétricos, turbinas eólicas, celulares e equipamentos médicos — o país passou a ser cortejado por Washington e observado de perto por Pequim.

O que são terras raras

O termo surgiu entre o fim do século XVIII e o início do XIX e se refere a 15 lantanídeos, além de escândio e ítrio. Apesar do nome, esses elementos não são “terras” nem particularmente escassos na crosta terrestre; o problema está em separá-los, porque costumam aparecer juntos nas rochas.

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Diferenciais em relação a metais tradicionais

Usados em quantidades pequenas, esses elementos funcionam como “vitaminas” da indústria: aumentam a eficiência de produtos que vão de ímãs de alto desempenho a telas luminosas. O neodímio, por exemplo, gera campos magnéticos muito mais fortes que o ferro, permitindo motores compactos e potentes.

Aplicações no dia a dia

  • Superímãs em motores de veículos elétricos (neodímio e praseodímio);
  • Alto-falantes e sistemas de vibração em celulares;
  • Geradores de turbinas eólicas, que chegam a usar centenas de quilos do material;
  • Equipamentos médicos e militares, como aparelhos de ressonância magnética e sensores de orientação.

Processamento caro e complexo

Encontrar o minério é apenas o primeiro passo. Separar cada elemento exige dezenas — às vezes centenas — de etapas químicas com ácidos e solventes. O processo envolve alto consumo de água, manejo de resíduos radioativos e profissionais especializados, fatores que elevam o custo final.

Leves x pesadas

No mercado, as terras raras são classificadas como leves (lantânio, cério, neodímio) ou pesadas (disprósio, térbio, lutécio). As pesadas, menos abundantes, alcançam valores de até US$ 15 mil o quilo porque exigem maior número de etapas de purificação.

Impactos ambientais

A cadeia extrativa gera uso intensivo de substâncias tóxicas, resíduos radioativos e demanda significativa de energia. A gestão desse passivo ambiental é um dos principais entraves para a expansão industrial fora da China.

Por que o Brasil é privilegiado

Eventos vulcânicos antigos, clima tropical e milhões de anos de intemperismo favoreceram a formação de depósitos ricos nesses elementos, especialmente na Província Ígnea do Alto Paranaíba (Minas Gerais e Goiás). O país também identificou argilas iônicas, onde a extração é mais simples.

Potencial ainda subaproveitado

O Brasil domina a mineração, mas não o refino. Fica, assim, restrito a vender matéria-prima de baixo valor agregado e importar produtos acabados a preços elevados. Pesquisadores lembram que o conhecimento técnico existe em universidades, mas falta escala industrial.

A “guerra fria” das terras raras

A China responde por cerca de 90 % do refino mundial e usa esse domínio como instrumento político. Os Estados Unidos, por sua vez, buscam fontes alternativas e negociam com o Brasil para garantir suprimento estratégico. O tema estará na pauta do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, nesta quinta-feira (7), em Washington.

Debate no Congresso

Na véspera da viagem, a Câmara dos Deputados aprovou, em regime de urgência, a criação da Política Nacional para a Exploração de Minerais Críticos. O texto prevê fundo de até R$ 5 bilhões para atrair empresas dispostas a transferir tecnologia e instalar plantas de refino no país.

Com reservas abundantes e interesse internacional crescente, o desafio brasileiro é passar de exportador de minério bruto a produtor de componentes de alto valor tecnológico.

Com informações de G1

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