Brasília, 29 de abril de 2026. O plenário do Senado rejeitou, por 42 votos a 34, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão ocorreu poucas horas após o indicado ter obtido parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), levando integrantes do Palácio do Planalto a classificarem o resultado como uma derrota sem precedentes para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Desgaste político
A recusa no plenário aprofundou o clima de tensão entre o Executivo e o Legislativo. Segundo relatos de bastidores, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teria se recusado a receber Messias antes da sabatina e atuado diretamente para consolidar votos contrários à indicação.
Reações de ministros e parlamentares
Em rede social, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), afirmou que “a aliança entre bolsonarismo e chantagem política venceu” e declarou que “o Senado sai menor desse episódio”. A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT-PR), chamou o resultado de “injustiça” e disse que os senadores “privaram o país de uma pessoa muito qualificada”.
Para a deputada Jandira Feghalli (PCdoB-RJ), a rejeição “foi uma derrota da democracia”. Já o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) defendeu que Lula indique “uma jurista negra com trajetória em defesa da classe trabalhadora” na próxima tentativa. A deputada Maria do Rosário (PT-RS) avaliou o episódio como “um ataque direto às prerrogativas do Presidente Lula” e um sinal de crise institucional.
Posicionamento do líder do governo
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que o resultado não deve interferir na campanha de reeleição de Lula e que o presidente ainda decidirá se manterá Messias ou apresentará outro nome. Randolfe minimizou a atuação de Alcolumbre e atribuiu a rejeição ao clima de polarização eleitoral. “Não vamos transformar isso em uma caça às bruxas”, disse o senador, descartando a busca por responsáveis individuais entre os parlamentares.
Com a reprovação, cabe agora ao presidente da República decidir se insiste no nome de Jorge Messias ou se envia nova indicação ao Senado.
Com informações de Gazeta do Povo

