Dario Durigan foi oficialmente nomeado ministro da Fazenda nesta sexta-feira (20). A designação consta no Diário Oficial da União (DOU) do mesmo dia, que também trouxe a exoneração de Fernando Haddad, agora pré-candidato ao governo de São Paulo.
Substituição anunciada por Lula
Na quinta-feira (19), durante evento em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia apresentado Durigan ao público. “Será o substituto do Haddad no Ministério da Fazenda. Olhem bem para a cara dele, que é dele que vocês vão cobrar muitas coisas”, declarou o presidente.
No mesmo encontro, Haddad fez balanço de gestão e confirmou que aquele seria seu último dia à frente da pasta.
Trajetória no setor público e privado
Advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP), Durigan ocupava, desde 2023, o cargo de secretário-executivo da Fazenda, posição número dois da hierarquia. Ele participou da elaboração de medidas de recomposição de receitas, da articulação da reforma tributária sobre o consumo e da renegociação das dívidas estaduais.
Antes, atuou como consultor na Advocacia-Geral da União (2017-2019) e foi diretor de Políticas Públicas do WhatsApp entre 2020 e 2023. Também integrou a equipe de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo nos anos de 2015 e 2016.
Principais desafios
À frente da Fazenda, Durigan terá de conduzir a política econômica durante o período eleitoral de 2026, quando temas como jornada 6 × 1, tributação sobre lucros dos trabalhadores e revisão de benefícios sociais devem ganhar destaque.
Outro ponto central é a regulamentação da reforma tributária, incluindo a criação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) em 2027 e o debate sobre o imposto seletivo, voltado a produtos com externalidade negativa, como bebidas alcoólicas e cigarros.
No campo fiscal, o ministro precisará buscar receitas para cumprir a meta de superávit de 0,25% do PIB (cerca de R$ 34,3 bilhões) prevista para 2026, respeitando o arcabouço que limita o crescimento real das despesas a 2,5% ao ano. Projeções indicam possibilidade de déficit efetivo de R$ 23,3 bilhões, mesmo com resultado positivo no cálculo oficial.
A pasta também prevê bloqueios de verbas devido ao avanço dos gastos obrigatórios sobre o teto estabelecido. No cenário externo, a volatilidade provocada pela guerra no Oriente Médio, que elevou o barril de petróleo para mais de US$ 100, pressiona a inflação e pode limitar a redução de juros.
Para mitigar impactos, o ministério já anunciou medidas como redução de tributos e subsídios ao diesel. O detalhamento das ações ficará sob responsabilidade da nova equipe comandada por Durigan.
Com informações de G1

