Brasília – 30/04/2026. A derrubada da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo plenário do Senado colocou foco imediato na eleição que renovará dois terços da Casa em outubro. O episódio fortaleceu candidaturas de direita e centro-direita que defendem o impeachment de ministros da Corte e buscam formar maioria a partir de 2027.
Messias, atual advogado-geral da União, tornou-se o sexto nome rejeitado para o STF em toda a história. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é agora o segundo chefe do Executivo a ter uma indicação barrada, fato interpretado por analistas como sinal de crise entre os Poderes e de fragilidade política do Palácio do Planalto.
Objetivo: ao menos 30 cadeiras
Das 54 vagas em disputa neste ano – equivalentes a dois terços do Senado –, partidos alinhados à oposição, liderados pelo PL, miram a conquista de no mínimo 30 assentos. Somadas às cadeiras já ocupadas no terço remanescente, a pretensão é controlar a Mesa Diretora e ter influência decisiva sobre indicações ao STF e possíveis processos de impedimento de ministros.
Especialistas apontam que o veto a Messias rompeu uma tradição centenária de confirmações automáticas, abrindo espaço para que o impeachment de magistrados deixe de ser tabu. Para o advogado André Marsiglia, a mudança no comportamento do Senado torna “natural” que o próximo debate seja a responsabilização de integrantes da Suprema Corte.
Pauta ganha tração eleitoral
O professor Adriano Cerqueira, do Ibmec-BH, avalia que a derrota governista ampliou o discurso oposicionista e reduziu a confiança de legendas centristas na eventual reeleição de Lula. A percepção de que o STF teria extrapolado competências, reforçada pelo escândalo do Banco Master, passou a ser explorada por pré-candidatos como símbolo de reação institucional.
Nesse contexto, propostas relacionadas à revisão das penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro e ao combate ao suposto aparelhamento do tribunal também entraram na agenda de campanha.
Ameaças e solidariedade
A tensão cresceu após o ministro Gilmar Mendes criticar publicamente o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e o ex-governador Romeu Zema (Novo-MG), ambos pré-candidatos ao Senado, intensificando a mobilização parlamentar. Durante a sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça, colegas como Eduardo Braga (MDB-AM) e Otto Alencar (PSD-BA) demonstraram apoio a Vieira, num sinal de coesão que deve se repetir nas urnas.
Nomes cotados ao comando da Casa
Dentro do projeto conservador, o líder da oposição Rogério Marinho (PL-RN) e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) despontam como possíveis postulantes à presidência do Senado em 2027, caso a direita alcance a maioria desejada. O plano inclui ainda disputar posições estratégicas no Congresso para influenciar votações sobre o Judiciário.
Repercussões no governo
Consultores políticos, como Marcus Deois, da Ética, preveem que Lula deve reagir ao papel desempenhado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), considerado fundamental para o resultado negativo de Messias. Entre as eventuais retalições citadas está a exoneração de indicados do senador em cargos federais no Amapá, hipótese que, segundo Deois, não ocorreria de imediato.
Além da rejeição no STF, o governo sofreu novo revés nesta quinta-feira (30) com a derrubada, pelo Congresso, de vetos presidenciais ao Projeto de Lei da Dosimetria. O acúmulo de derrotas reforçou o argumento oposicionista de desequilíbrio entre os Poderes e alimentou a estratégia eleitoral focada no Senado.
Com a campanha já em andamento, parlamentares, pré-candidatos e influenciadores que atuaram contra Messias pretendem usar a votação como peça central de propaganda, conectando-a à defesa de garantias individuais e à crítica ao ativismo judicial.
Com informações de Gazeta do Povo

