Brasília – A Polícia Federal (PF) avalia que a detenção do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, ocorrida nesta quinta-feira (16), pode revelar a participação de políticos na tentativa de socorrer o Banco Master por meio da venda de créditos à instituição pública.
De acordo com a investigação, representantes do Centrão teriam intermediado conversas entre Costa e o controlador do Master, Daniel Vorcaro, para viabilizar operações que ajudassem o banco privado a superar dificuldades de liquidez.
Operações sob suspeita
Entre 2023 e 2024, o BRB adquiriu mais de R$ 16 bilhões em créditos do Master. A PF sustenta que cerca de R$ 12 bilhões desse montante correspondiam a carteiras fraudulentas. Após identificar irregularidades, o Banco Central determinou o desfazimento das transações.
Em depoimento, Paulo Henrique Costa afirmou ter revertido aproximadamente R$ 10 bilhões. Contudo, os investigadores relatam que parte desses valores foi substituída por “créditos podres”, sem garantia de recuperação.
Relações políticas e registros em celulares
Ex-técnico da Caixa Econômica Federal, Costa ascendeu a postos de comando amparado em alianças políticas no Congresso. Trocas de mensagens extraídas dos celulares de Costa e Vorcaro indicam, segundo a PF, vínculo comercial próximo entre ambos, contrariando versões dadas pelo ex-executivo.
Além dos parlamentares do Centrão, o inquérito também mira o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, hoje candidato ao Senado. A corporação apura a atuação do escritório de advocacia da família de Rocha em negociações com fundos da gestora Reag, ligada a Vorcaro. O ex-governador nega envolvimento nas fraudes.
A PF pretende usar as novas informações para rastrear a cadeia de decisões que levou o BRB a adquirir os créditos irregulares e identificar eventuais vantagens obtidas por agentes públicos.
Com informações de G1

