Santo Antônio de Posse (SP) – A Polícia Federal apura suspeita de gestão temerária na aplicação de R$ 13 milhões do Instituto de Previdência Municipal de Santo Antônio de Posse (IPREM) em títulos do Banco Master. A investigação teve início após auditoria apontar descumprimento de normas e excesso de risco nas operações realizadas entre outubro de 2023 e maio de 2024.
Como ocorreram as aplicações
De acordo com a decisão judicial que autorizou mandados de busca e apreensão, o IPREM efetuou três aportes em Letras Financeiras do Banco Master:
• 16 de outubro de 2023 – R$ 6 milhões (6,48 % do patrimônio do instituto à época)
• 22 de abril de 2024 – R$ 5 milhões
• 3 de maio de 2024 – R$ 2 milhões
Principais irregularidades apontadas
O documento judicial destaca:
• Descumprimento de normas: falta de critérios adequados de segurança, liquidez e diversificação.
• Violação da Política Anual de Investimentos (PAI): limite de 1 % para ativos bancários em 2023 foi superado já na primeira operação.
• Ausência de análises técnicas: decisões baseadas em pareceres genéricos, sem estudo comparativo de riscos.
• Exposição elevada: títulos vencem em 2033 e 2034 e não contam com garantia do Fundo Garantidor de Créditos.
Alvos da operação
Entre os investigados está Hortêncio Lala Neto, conhecido como Tainha, diretor do IPREM até 2024. Também foram citados:
• Marlene Maria Vieira Bassani – ex-supervisora de gestão
• Maria de Lourdes Villalva – assessora de secretária do Comitê de Investimentos
• Hélio Augusto Moraes – agente técnico administrativo do Comitê de Investimentos
• Tatiana Feliz dos Reis – assessora de secretária do Comitê de Investimentos
A Justiça determinou afastamento de cargos públicos e bloqueio de bens dos envolvidos.
Posicionamentos
Em nota anterior, o IPREM afirmara que as aplicações seguiram a legislação dos Regimes Próprios de Previdência Social e a política interna aprovada pelo conselho deliberativo, acrescentando que monitora o caso desde que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.
A prefeitura informou que o investimento – R$ 7 milhões aplicados em 2024, com prazo de 10 anos – permanece sem possibilidade de resgate antecipado e que a atual gestão revisou os critérios de aplicação em 2025, concentrando recursos em cinco instituições consideradas sólidas.
A PF apreendeu celulares e documentos que serão analisados. O delegado Davi de Oliveira Rios destacou que a investigação mira, por ora, a conduta dos gestores, sem incluir o banco como alvo direto.
Com informações de G1

