O número de solicitações de recuperação judicial no agronegócio brasileiro atingiu quase 2 mil registros em 2025, o maior patamar já apurado pela Serasa Experian. O avanço reflete o aumento dos custos de produção, o encarecimento e a restrição do crédito, variações de mercado e impactos climáticos que têm comprometido o fluxo de caixa de produtores rurais em todo o país.
Instrumento legal ganha destaque
Com a pressão financeira, a recuperação judicial passou a ser vista como alternativa para reorganizar dívidas e manter a atividade agrícola. Prevista na Lei nº 11.101/2005 e atualizada pela Lei nº 14.112/2020, a ferramenta também abrange produtores rurais, permitindo a negociação coletiva de débitos e a preservação dos bens essenciais à produção.
Para o agricultor e consultor em reestruturação financeira Dione Rodovalho, o mecanismo ainda é pouco entendido no campo. “É um recurso previsto em lei que possibilita reordenar a atividade e seguir produzindo, mas há desconhecimento que dificulta a análise técnica”, afirma. O especialista recomenda avaliar a medida em situações de elevada alavancagem, risco de perda patrimonial, caixa comprometido e dificuldades de negociação com credores.
Entidades cobram planejamento e ambiente favorável
A Associação dos Produtores de Soja e Milho do Tocantins (Aprosoja-TO) monitora a escalada dos pedidos e reforça a necessidade de planejamento rigoroso, gestão eficiente e acesso a informações qualificadas para a tomada de decisão. A entidade destaca que cada propriedade apresenta realidade distinta de endividamento e condições de mercado, exigindo avaliação individualizada.
O aumento das recuperações judiciais também evidencia, segundo a Aprosoja-TO, a importância de um ambiente de crédito mais equilibrado, segurança jurídica e políticas públicas que sustentem a produção agrícola.
Diante de um cenário de custos elevados e margens reduzidas, especialistas preveem que a procura por soluções estruturadas, incluindo a recuperação judicial, tende a se intensificar, exigindo postura técnica e planejamento financeiro dos produtores.
Com informações de Atitude Tocantins

