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Oposição prepara ofensiva contra Jorge Messias no STF, enquanto Centrão tenta emplacar Rodrigo Pacheco

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A saída antecipada do ministro Luís Roberto Barroso do Supremo Tribunal Federal (STF) abriu nova disputa política em Brasília. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, mas enfrenta a mobilização do PL e de outras siglas de oposição para barrar o nome no Senado, além de pressões internas do Centrão a favor do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Movimentos do Planalto

Lula iniciou a rodada de consultas na terça-feira, 14 de outubro, em jantar no Palácio da Alvorada com os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e o titular da Justiça, Ricardo Lewandowski. O formato repete a estratégia adotada nas indicações de Zanin e Dino: medir o ambiente na Corte antes de oficializar o escolhido.

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No Planalto, assessores classificam Messias como favorito e defendem que a indicação seja formalizada até o fim de outubro, antes de viagens internacionais do presidente. Ainda assim, interlocutores reconhecem que Lula pode adiar a decisão se o desgaste político crescer.

Cenário no Senado

Qualquer indicado ao STF precisa passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e receber, no mínimo, 41 votos no plenário. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), já atua nos bastidores para viabilizar Pacheco, ex-comandante do Senado. Segundo aliados, Alcolumbre calcula apoio de mais de 60 dos 81 senadores para o colega mineiro.

O ministro Gilmar Mendes endossou publicamente Pacheco em agosto, afirmando que a Corte necessita de “pessoas corajosas e preparadas juridicamente”. Parte do PT, contudo, prefere manter o senador como opção para o governo de Minas Gerais em 2026, o que reduz o entusiasmo interno pela troca.

Estratégia da oposição

PL, Novo e Republicanos articulam ações nas redes sociais, apresentação de requerimentos na CCJ e pressão sobre bancadas evangélica e do Centrão para frear Messias, conhecido como “Bessias” desde o episódio de 2016 envolvendo a tentativa de nomeação de Lula para a Casa Civil no governo Dilma Rousseff.

Um senador do PL afirmou, sob reserva, que a meta é “empurrar o Palácio para o desgaste”, explorando o momento de derrotas recentes do governo no Congresso, como a caducidade da medida provisória que tributaria aplicações no exterior.

Histórico de aprovações

O Senado não rejeita formalmente um indicado ao STF desde 1894. Mesmo nomeações que enfrentaram resistência, como as de André Mendonça e Flávio Dino, terminaram aprovadas por 47 votos, seis a mais que o mínimo exigido. Parlamentares próximos a Alcolumbre lembram ainda que o próprio presidente da CCJ pode segurar ou acelerar a tramitação, conferindo poder adicional ao Centrão.

Análise de especialistas

Para o professor de Direito Constitucional Álvaro Palma de Jorge, da FGV Direito Rio, o Senado exerce “poder de veto antecipado”: “O presidente só envia o nome quando tem segurança de aprovação”, disse, citando o caso em que o ex-presidente Jair Bolsonaro cogitou indicar o filho Eduardo para a embaixada em Washington, mas recuou ao perceber falta de votos.

O cientista político Antônio Flávio Testa observa que a pluralidade de movimentos — como acenos do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, a Pacheco — revela a complexidade da escolha. Já o consultor Marcus Deois, da Ética Consultoria, aponta que a decisão ocorre em meio a um cenário fiscal difícil e a negociações paralelas de interesse do Congresso.

Próximos passos

Enquanto Lula avalia formalizar Messias e admite escolher uma mulher para substituí-lo na AGU, Alcolumbre mantém conversas com Pacheco, ministros do STF e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Senadores acreditam que, caso o nome de Messias seja confirmado, a ofensiva da oposição aumentará, prolongando a sabatina e elevando os custos políticos do governo.

Se optar por Pacheco, o Planalto ganharia sinalização de conciliação com o Legislativo, mas perderia um possível candidato aliado em Minas Gerais. O impasse deve se definir nas próximas semanas, quando Lula pretende concluir as consultas e enviar — ou não — o nome do próximo ministro ao Senado.

Com informações de Gazeta do Povo

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