A participação em temas de forte apelo conservador – como a CPMI do INSS, o Projeto de Lei da Anistia e a Lei da Dosimetria – projetou um grupo de deputados e senadores como principais porta-vozes da oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Agora, essas figuras tentam converter a exposição conquistada no Congresso em capital eleitoral para as urnas de 2026.
Ligados majoritariamente ao PL, ao Novo e a siglas do Centrão, os parlamentares assumiram protagonismo em redes sociais, comissões e embates com governistas e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em comum, criticam decisões da Corte, defendem a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e apontam supostas irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social.
Veja, em ordem alfabética, quem são os nomes de destaque e quais cargos pretendem disputar:
Adriana Ventura (Novo-SP)
Integrante titular da CPMI do INSS, apresentou requerimentos para convocar investigados – entre eles Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS” – e para quebrar o sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Denunciou “blindagem” ao governo após o fim da comissão. Deputada desde 2019, buscará o terceiro mandato.
Alfredo Gaspar (PL-AL)
Relator da CPMI, apontou um núcleo de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 39 bilhões e sugeriu o indiciamento de 216 pessoas, além da prisão preventiva de Lulinha; o parecer foi rejeitado pela maioria governista. Ex-promotor e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, é pré-candidato ao Senado.
Bia Kicis (PL-DF)
Na presidência da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, encaminhou os primeiros pedidos de investigação sobre descontos irregulares em benefícios. Defende a anistia desde 2024. Após dois mandatos na Câmara, prepara campanha para o Senado.
Caroline De Toni (PL-SC)
Como presidente da CCJ, pautou a proposta de anistia e PECs que limitam decisões monocráticas do STF. Liderou a minoria em 2025 e denunciou supostas fraudes no INSS. Advogada, concorrerá a uma vaga no Senado.
Coronel Chrisóstomo (PL-RO)
Autor do pedido de CPI do INSS, protagonizou embates com governistas na CPMI. Militar da reserva, tentará o terceiro mandato como deputado federal.
Eduardo Bolsonaro (PL-SP)
Ex-deputado se autoexilou nos EUA em março de 2025 para denunciar o que chama de “perseguição judicial”. Vinculou a anistia à agenda comercial com os Estados Unidos. Não confirmou qual cargo pretende disputar em 2026.
Eduardo Girão (Novo-CE)
Atuou na articulação da oposição no Senado e criticou blindagem a banqueiros supostamente ligados a desvios. Pré-candidato ao Governo do Ceará.
Evair Vieira de Mello (Republicanos-ES)
Apontou descontos irregulares em aposentadorias ainda em 2023 e acusou o governo de prevaricação. Coautor de projeto de anistia, vai disputar o Senado.
Coronel Fernanda (PL-MT)
Cofirmatária do requerimento que criou a CPMI do INSS, seguiu a ala que sustentou o relatório de Alfredo Gaspar. Busca novo mandato de deputada federal.
Filipe Barros (PL-PR)
Única voz da oposição na CPMI dos atos de 8 de janeiro, participou de pedidos de impeachment de ministros do STF e defendeu a CPMI do INSS. Pretende concorrer ao Senado.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
Classifica as penas do 8 de janeiro como perseguição política. Após ser lançado pelo pai como candidato da família, disputará a Presidência da República em 2026.
Cabo Gilberto Silva (PL-PB)
Líder da oposição em 2026, apresentou pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes após a suspensão da Lei da Dosimetria. Disputará a reeleição na Câmara.
Gilson Marques (Novo-SC)
Suplente na CPMI do INSS, cobrou investigações sobre desvios e apresentou pacotes anticorrupção. Economista de perfil libertário, tentará novo mandato de deputado.
Luciano Zucco (PL-RS)
Liderou a oposição em 2025 na pressão pela anistia e articulou a CPMI do INSS. Militar da reserva, é pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Sul.
Luiz Lima (Novo-RJ)
Suplente na CPMI do INSS, aprovou quebras de sigilo e foi agredido em plenário por Rogério Correia (PT-MG). Ex-nadador olímpico, buscará a reeleição.
Magno Malta (PL-ES)
Protestou acorrentado no Senado para exigir análise de impeachment de Moraes. Mandato vai até 2031, mas é cotado para o governo capixaba.
Marcel van Hattem (Novo-RS)
Teve mandato suspenso por dois meses ao obstruir sessões em defesa da anistia. Atuou na CPMI do INSS. Lança-se pré-candidato ao Senado.
Marcos Pollon (PL-MS)
Líder pró-armas, também teve mandato suspenso após ocupação da mesa diretora para pautar a anistia. Disputará o Senado.
Maurício Marcon (PL-RS)
Destacou-se na CPMI do INSS com requerimentos e críticas econômicas ao governo. Busca a reeleição na Câmara.
Nikolas Ferreira (PL-MG)
Organizou caminhada de 240 km contra decisões do STF e acionou o tribunal para instalar a CPI do INSS. Influenciador com 43 milhões de seguidores, tentará novo mandato.
Delegado Palumbo (Podemos-SP)
Prega que a anistia inclua danos patrimoniais. Ex-GOE, Denarc e GARRA, foi eleito deputado em 2022 e é cotado para o Senado.
Paulo Bilynskyj (PL-SP)
Requereu esclarecimentos sobre fraudes no INSS e liderou a oposição à PEC da Segurança Pública. Ex-delegado, buscará reeleição.
Sergio Moro (PL-PR)
Ex-juiz da Lava Jato, entrou no PL em 2026 e defende endurecimento penal. É pré-candidato ao governo do Paraná, criando palanque para Flávio Bolsonaro no estado.
Silvia Waiãpi (PL-AP)
Coautora de projeto de anistia, teve mandato cassado em 2025, mas segue em protestos contra o governo. Planeja voltar à Câmara.
Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)
Líder do PL na Câmara, articulou votações da anistia e da dosimetria e agora mobiliza apoio a uma PEC sobre o tema. Disputará a reeleição.
Zé Trovão (PL-SC)
Ex-caminhoneiro, ajudou na obstrução para votar a anistia e também teve mandato suspenso. Pretende manter a cadeira de deputado federal.
Outros parlamentares de oposição não aparecem na lista porque seus mandatos no Senado terminam apenas em 2031 e eles não anunciaram intenção de disputar cargos em 2026.
Com informações de Gazeta do Povo

