Terras raras, lítio, nióbio e grafite transformaram-se em peças-chave da economia global e têm pautado a diplomacia de China, Brasil e Estados Unidos. Em 7 de maio de 2026, o tema dominou o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, em Washington, quando os norte-americanos buscaram caminhos para diminuir a dependência do refino chinês.
Uma semana depois, Trump levou a mesma preocupação a Pequim, onde se reuniu com o presidente Xi Jinping. Na capital chinesa, as duas maiores economias do mundo voltaram a discutir acesso a minerais estratégicos e restrições a tecnologias sensíveis.
Controle da cadeia é alvo principal
Especialistas alertam que o poder não está apenas na posse das jazidas, mas no domínio de todo o ciclo — da mineração ao processamento industrial. A China concentra a maior parte do refino global, posição que gera apreensão em Washington e em capitais europeias. Em abril de 2025, Pequim passou a exigir licenças de exportação para terras raras e ímãs industriais, afetando montadoras, fabricantes de semicondutores e empresas de defesa nos EUA.
Após conversas telefônicas de 90 minutos entre Trump e Xi, o governo chinês liberou autorizações temporárias para parte dos carregamentos solicitados pelos norte-americanos. O tema voltou à mesa em janeiro deste ano, em reuniões em Washington com representantes do G7, Índia, Coreia do Sul e Austrália, que discutiram alternativas ao processamento chinês.
Brasil ganha protagonismo
Com cerca de 23% das reservas mundiais de terras raras — estimadas em 21 milhões de toneladas —, o Brasil tornou-se peça estratégica para ambos os lados. Além das jazidas, o país dispõe de matriz energética considerada relativamente limpa e ambiente institucional visto como estável por investidores estrangeiros.
Em 6 de maio, a Câmara dos Deputados aprovou projeto que regula a exploração de minerais estratégicos e incentiva a industrialização local. O texto aguarda análise do Senado. No dia seguinte, Lula afirmou em Washington que o governo não privilegia um único parceiro e que pretende negociar com empresas americanas, chinesas, francesas ou de qualquer outro país dispostas a investir em mineração, processamento e agregação de valor no território nacional.
Posições das três potências
Brasil: detém reservas expressivas, mas ainda refina pouco. Pretende avançar na cadeia produtiva para não se limitar à exportação de minério bruto.
China: líder no processamento, utiliza o controle das terras raras como instrumento de política externa, flexibilizando ou restringindo exportações conforme seus interesses.
Estados Unidos: dependentes do refino chinês, buscam diversificar fornecedores e veem o Brasil como parceiro confiável fora da esfera de influência de Pequim.
Para analistas de direito internacional, a interdependência gerada pelos minerais críticos aproxima os três países, mas também amplifica tensões sobre soberania, transferência de tecnologia e segurança de abastecimento.
Xi Jinping deve visitar os Estados Unidos no segundo semestre de 2026, a convite de Trump, e o tema dos minerais estratégicos promete continuar no centro das negociações bilaterais.
Com informações de Metrópoles

