O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (21), em Hannover, na Alemanha, que o governo brasileiro poderá adotar uma medida de reciprocidade caso se confirme abuso de autoridade dos Estados Unidos na decisão de expulsar o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho.
“Fui informado hoje de manhã. Se houve um abuso americano em relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil”, declarou Lula, na saída do hotel onde está hospedado, durante conversa com jornalistas.
Lula acrescentou que não aceitará “ingerência” ou “abuso de autoridade” por parte de agentes norte-americanos contra o Brasil.
Posicionamento do Itamaraty e da PF
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que a informação sobre o suposto abuso “não tem fundamento” e que o Brasil aguarda esclarecimentos oficiais de Washington. Vieira ressaltou que o delegado cumpria missão oficial em Miami em cooperação com autoridades norte-americanas e que essa função era de conhecimento de todos.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou que Marcelo Ivo de Carvalho está nos Estados Unidos há mais de dois anos realizando atividades de apoio ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE).
Decisão dos EUA
Na segunda-feira (20), o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos anunciou a determinação para que Carvalho deixe o país. Sem citar nomes, o órgão afirmou, em rede social, que “nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”.
A Embaixada dos EUA em Brasília confirmou à TV Globo que a autoridade mencionada é o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) em território norte-americano.
Trajetória de Marcelo Ivo de Carvalho
Carvalho foi designado para Miami em março de 2023, com missão de dois anos junto ao ICE, responsável por identificar e capturar foragidos da Justiça brasileira nos Estados Unidos. Em março de 2025, o governo federal prorrogou oficialmente sua permanência até agosto deste ano.
O Itamaraty informou que, até o momento, não comentará o caso. A Polícia Federal também declarou não ter sido notificada formalmente sobre a decisão norte-americana.
Com informações de G1

