O navio de cruzeiro MV Hondius permanece ancorado em Cabo Verde desde domingo (3/5), colocado em quarentena após o registro de sete casos suspeitos de hantavírus, dos quais dois foram confirmados por testes laboratoriais. Três passageiros morreram.
Situação a bordo
Segundo a operadora, há 149 pessoas de 23 nacionalidades isoladas nas cabines. Mantimentos vêm sendo entregues por equipes cabo-verdianas. O governo da Espanha autorizou o desembarque nas Ilhas Canárias, trajeto que deve levar de três a quatro dias.
Casos registrados
Caso 1 – Homem adulto apresentou febre, dor de cabeça e diarreia em 6/4/2026. Desenvolveu insuficiência respiratória em 11/4 e morreu a bordo no mesmo dia. O corpo foi levado a Santa Helena em 24/4; não houve teste laboratorial.
Caso 2 – Mulher adulta, contato próximo do caso 1, desembarcou em Santa Helena em 24/4 com sintomas gastrintestinais. O quadro piorou durante voo para Joanesburgo (25/4) e ela faleceu em 26/4. Em 4/5, exame de PCR confirmou hantavírus. O rastreamento de contatos do voo foi iniciado.
Caso 3 – Homem adulto procurou o médico do navio em 24/4 com febre, dispneia e sinais de pneumonia. Evacuado da Ilha de Ascensão para a África do Sul em 27/4, segue internado em UTI. PCR confirmou hantavírus em 2/5.
Caso 4 – Mulher adulta apresentou febre e mal-estar em 28/4, evoluiu para pneumonia e morreu em 2/5.
Casos 5, 6 e 7 – Três passageiros com febre alta e/ou sintomas gastrintestinais. Dois necessitam de atendimento médico urgente e um deles teve contato próximo com o caso 1. Eles serão transferidos em aeronaves especializadas para os Países Baixos.
Monitoramento da OMS
Uma equipe da Organização Mundial da Saúde (OMS) fez inspeção no navio. A entidade considera rara, mas possível, a transmissão entre pessoas. “Acreditamos que pode haver alguma transmissão de pessoa para pessoa entre contatos muito próximos”, afirmou Maria Van Kerkhove, da OMS. O risco global para a população em geral é avaliado atualmente como baixo, com vigilância contínua.
O que é o hantavírus
O hantavírus é uma infecção respiratória incomum, normalmente transmitida pelo contato com excreções de roedores silvestres. O período de incubação varia de duas a quatro semanas. Sintomas iniciais incluem febre, cefaleia, mialgia, calafrios e distúrbios gastrointestinais, podendo evoluir para insuficiência respiratória e hipotensão. Não há vacina nem tratamento específico; a sobrevida depende de suporte médico precoce em UTI.
Com a autorização espanhola, a expectativa é que todos os passageiros deixem o MV Hondius nas Ilhas Canárias até o fim da semana, enquanto autoridades sanitárias seguem acompanhando a evolução dos casos.
Com informações de Metrópoles

