O encarecimento das exportações brasileiras provocado por tarifas e outras barreiras comerciais está obrigando empresas do país a ampliar a diversificação de destinos, alerta a professora de comércio exterior Ana Maria Matta Walcher, da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP). Segundo a especialista, medidas recentes já resultam em adiamentos de compras, renegociação de contratos e redução de margens.
Divulgada nesta terça-feira (13/10/2026), a avaliação de Ana Maria indica que o impacto agregado na balança comercial tende a ser limitado, mas esconde dificuldades significativas para setores dependentes de poucos compradores. “Quanto maior a concentração em um único mercado, maior a exposição a mudanças repentinas”, afirma.
Indústria encara obstáculos maiores
Produtos manufaturados como calçados, máquinas, aço, alumínio e químicos figuram entre os mais vulneráveis às tarifas, porque compradores conseguem substituir fornecedores com relativa facilidade. Já commodities como petróleo, minério e parte do agronegócio contam com demanda global consolidada e encontram maior facilidade para redirecionar cargas.
Repasse de custos divide a cadeia
A tarifa é recolhida no país importador, mas seu custo se espalha entre exportador, distribuidor e consumidor, de acordo com o poder de negociação de cada elo. Onde existe substituto imediato, o vendedor brasileiro costuma ter de cortar preços para manter o contrato; quando não há alternativa, parte do aumento chega ao consumidor estrangeiro.
Exigências além do preço
Além dos tributos, exportadores enfrentam barreiras sanitárias, técnicas, regras de origem, licenças e medidas antidumping. Critérios de sustentabilidade e rastreabilidade exigem documentação detalhada da cadeia produtiva, lembra a professora. “Empresa que não comprova a origem do produto fica vulnerável”, diz.
Diversificação e acordos
Dados levantados pela FECAP apontam que cerca de 5.600 companhias brasileiras foram diretamente afetadas por barreiras impostas pelos Estados Unidos. Para mitigar riscos, Ana Maria recomenda buscar novos destinos, mencionando os acordos do Mercosul com União Europeia, EFTA e Singapura como alternativas em estudo.
Disputas comerciais entre grandes economias também podem abrir espaço para fornecedores brasileiros, em especial no agronegócio, energia, alimentos processados e serviços. O aproveitamento dessas brechas, entretanto, depende de capacidade de entrega, certificações e regularidade no abastecimento.
Pequenas e médias: preparação é vital
Empresas com menos recursos devem antecipar riscos, acompanhando códigos tarifários, normas de mercado e plataformas públicas de comércio exterior. Certificações, análise cambial, seguro de crédito e apoio de entidades setoriais e da ApexBrasil entram na lista de recomendações.
Na ocorrência de tarifa elevada, a docente sugere rever preços, volumes, prazos, logística e classificação tributária, além de estudar isenções ou parcerias produtivas no mercado de destino. Para o longo prazo, a internacionalização precisa estar integrada ao planejamento estratégico, combinando informação, documentação e ampliação do valor agregado.
Com informações de Portal do Agronegócio
