Um dos mais completos fósseis de Tyrannosaurus rex já identificados foi vendido em leilão nesta terça-feira, 14 de julho de 2026, por US$ 50,1 milhões (aproximadamente R$ 256,5 milhões). A negociação ocorreu na Sotheby’s, em Nova York, superando a estimativa inicial da casa, que variava de US$ 20 mi a US$ 30 mi.
Batizado de Gus, o esqueleto possui cerca de 3,8 metros de altura quando montado em posição de ataque e data de 67 milhões de anos. Os restos foram localizados em 2021, em uma fazenda do condado de Harding, Dakota do Sul (EUA). A escavação levou três anos e foi conduzida por uma empresa especializada, com autorização do proprietário do terreno, Gary “Gus” Licking – que inspirou o nome do dinossauro.
Recorde financeiro
Com o resultado, Gus se tornou o fóssil mais caro já negociado pela Sotheby’s, ultrapassando o estegossauro Apex, leiloado pela mesma casa em 2024 por US$ 44,6 milhões. O valor também coloca o exemplar entre as peças paleontológicas mais valiosas já vendidas no mercado privado.
Preocupação científica
A transação provocou reação de pesquisadores. Richard Butler, da Universidade de Birmingham, afirmou ao jornal The Guardian que fósseis fora de coleções públicas ficam sujeitos a restrições de acesso, prejudicando verificações e novos estudos. Stephen Brusatte, da Universidade de Edimburgo, ressaltou que somas tão altas excluem museus e universidades das disputas em leilões.
Thomas Carr, professor do Carthage College, destacou que empréstimos temporários a instituições não garantem uso continuado do material, pois o dono pode retirá-lo a qualquer momento. Segundo ele, muitas revistas científicas exigem que as peças analisadas estejam em acervos permanentes, justamente para assegurar consulta futura.
Há exceções: o estegossauro Apex, por exemplo, foi comprado pelo empresário Ken Griffin e cedido por quatro anos ao Museu Americano de História Natural, em Nova York. Ainda assim, especialistas temem que a tendência de valores crescentes dificulte a permanência dos fósseis em coleções acessíveis ao público e à comunidade acadêmica.
Com o martelo batido em Nova York, Gus passa agora a integrar uma coleção privada cujo proprietário não foi divulgado.
Com informações de Exame

