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Senado aprova MP que endurece regras do piso mínimo do frete rodoviário

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Brasília – O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (14) a medida provisória (MP) que altera a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. O texto, já em vigor desde março, segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Principais mudanças

A MP mantém a obrigatoriedade de um valor mínimo para o frete, calculado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a partir da distância percorrida, do número de eixos e do tipo de carga. No entanto, os senadores retiraram dispositivo aprovado anteriormente na Câmara que fixava salário nacional de R$ 5 mil mensais para caminhoneiros em longas distâncias, alegando inconstitucionalidade ao definir valores por lei.

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O texto aprovado também eleva punições para quem contratar fretes abaixo do piso legal. As sanções incluem:

  • multas que podem chegar a R$ 1 milhão;
  • suspensão do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC);
  • cancelamento definitivo do registro em casos de reincidência grave.

Intermediadores e plataformas digitais passam a ser responsabilizados caso ofertem fretes inferiores ao mínimo.

Prazo para reajuste e cadastro obrigatório

Criado em 2018, o piso mínimo deve ser reajustado sempre que o preço do combustível variar mais de 5 %. A MP determina que, nessas situações, a ANTT publique nova tabela em até três dias úteis. Além disso, o cadastro da operação torna-se obrigatório para emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT).

Anistia a multas de 2022

O texto aprovado na Câmara incluiu a anistia a multas aplicadas a transportadores que participaram de manifestações em 2022 ligadas à tentativa de golpe de Estado promovida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), antecipou que Lula pretende vetar esse trecho.

Contexto político e pressões

A votação ocorreu após paralisação de caminhoneiros autônomos em Santos (SP), que cobravam análise rápida da matéria. Entidades da categoria, como a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), defendem a MP, alegando que a alta do diesel, intensificada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, tornou mais urgente a atualização do piso.

Por outro lado, representantes de indústrias, produtores rurais e comércio, entre eles o Instituto Livre Mercado e o Sindicom, afirmam que o aumento estrutural dos custos logísticos pode pressionar preços para o consumidor final.

Como medida provisória, o texto perderia validade se não fosse votado pelo Congresso até quinta-feira (16). Com a aprovação no Senado, a proposta permanece em vigor enquanto aguarda a decisão presidencial.

Com informações de G1

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