O ex-primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, foi alvo de críticas por afirmar que a equipe da França é “de altíssimo nível, mas sem franceses”. A declaração, publicada em sua coluna no jornal conservador El Debate, veio após a vitória espanhola sobre a Bélgica e antecede a semifinal da Copa do Mundo da Fifa de 2026, marcada para terça-feira (14/7), às 16h (horário de Brasília), no Estádio de Dallas, no Texas (EUA).
Repercussão imediata na França
Autoridades francesas reagiram com veemência. O ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, disse à emissora BFMTV que “a França não tem cor de pele” e classificou o comentário como “estupidez ou racismo”. Outros integrantes do governo do presidente Emmanuel Macron e líderes de diferentes partidos também condenaram o que chamaram de “ódio evidente”.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, filho de imigrantes espanhóis, declarou que o posicionamento de Rajoy é “totalmente inaceitável” e reforçou que “existe apenas uma França, onde todos podem encontrar seu lugar”.
Em nota publicada na rede X, a Embaixada da França em Madri lembrou que “todos os 26 jogadores convocados são franceses”, sendo 23 nascidos em território francês e três naturalizados.
Reações na Espanha
O atual primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, criticou o antecessor sem citar seu nome, afirmando que as palavras “envergonham” o país. “Que vença o melhor e que perca o racismo”, escreveu.
O Partido Popular (PP), legenda de Rajoy, tentou minimizar a polêmica. Para o porta-voz nacional, Borja Sémper, o ex-chefe de governo apenas demonstrou apoio à seleção espanhola de forma “sarcástica, sem má intenção”.
O ministro da Presidência e Justiça da Espanha, Félix Bolaños, condenou as declarações e lembrou ataques similares nas redes sociais a jogadores espanhóis de origem imigrante, como Lamine Yamal e Nico Williams. “Eles são tão espanhóis quanto os haters racistas”, afirmou à Rádio Nacional.
Contexto político e histórico
Rajoy governou a Espanha entre 2011 e 2018, saindo do cargo após uma moção de censura motivada por escândalo de corrupção envolvendo o PP. Seu comentário também fez franceses recordarem falas do falecido político de extrema-direita Jean-Marie Le Pen, que nos anos 1990 questionou a legitimidade de atletas franceses descendentes de imigrantes.
Outros episódios recentes
A controvérsia chega poucos dias depois de a senadora paraguaia Celeste Amarilla chamar o atacante francês Kylian Mbappé de “camaronês colonizado” e usar termos ofensivos, o que motivou nova onda de indignação na França.
França e Espanha entram em campo nesta terça-feira buscando uma vaga na decisão do Mundial de 2026, enquanto o debate sobre identidade e racismo domina o noticiário fora das quatro linhas.
Com informações de BBC News Brasil

