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“Regra” de cores não distingue cobra-coral verdadeira no Brasil e aumenta risco de acidentes

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A ideia de reconhecer cobras-corais peçonhentas apenas observando a sequência dos anéis coloridos é ineficaz no Brasil e pode levar a acidentes graves, alertam especialistas.

Variedade de espécies torna identificação visual impossível

O território brasileiro abriga 38 espécies de corais-verdadeiras, cada uma com padrões de coloração distintos. Algumas nem sequer exibem os clássicos anéis vermelhos, pretos e amarelos. Para complicar, o país possui dezenas de corais-falsas que imitam quase perfeitamente a aparência das venenosas.

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Características anatômicas usadas por herpetólogos, como tamanho dos olhos ou formato da cauda, não são visíveis à distância e podem estar presentes também em espécies inofensivas. Dessa forma, tentar diferenciar os animais apenas pelo visual representa alto risco.

Orientação oficial: tratar todas como potencialmente peçonhentas

Diante da dificuldade de reconhecimento, órgãos ambientais recomendam que qualquer cobra com padrão listrado seja considerada venenosa. A população não deve capturar ou manusear o animal; o correto é acionar o Corpo de Bombeiros (193) ou a Polícia Militar Ambiental (190) para o resgate.

Mimetismo reforça a confusão

Na natureza, o mimetismo leva espécies inofensivas a copiar as cores de predadoras para afastar inimigos. No caso das corais, essa estratégia beneficia tanto as peçonhentas quanto as falsas, pois predadores evitam qualquer serpente com o padrão chamativo.

Quando encontram humanos, as corais costumam fugir. Se encurraladas, escondem a cabeça, enrolam a cauda e fazem movimentos de distração. Ao contrário de jararacas e cascavéis, só mordem em último recurso.

Veneno neurotóxico age rápido

Outro mito diz que a coral verdadeira injeta pouco veneno por ter dentes pequenos. Embora os dentes sejam de tamanho reduzido, ficam na parte frontal da boca, facilitando a inoculação. A toxina, de ação predominantemente neurotóxica, interrompe a comunicação entre nervos e músculos, causando visão turva, pálpebras caídas e dificuldade para falar. Sem soro antielapídico, a vítima pode evoluir para insuficiência respiratória.

Habitat e primeiros socorros

Essas serpentes mantêm hábitos fossoriais ou semifossoriais, vivendo sob folhas secas, troncos, pedras ou enterradas. Encontros com humanos são mais comuns na Amazônia e Mata Atlântica, inclusive em áreas periurbanas.

Ao avistar uma cobra-coral no quintal, o recomendado é afastar crianças e animais de estimação e chamar os bombeiros ou a polícia ambiental. Em caso de picada, a vítima deve lavar o ferimento com água e sabão e procurar imediatamente um hospital. É proibido fazer torniquete, cortar a pele, sugar veneno ou aplicar substâncias caseiras. Capturar o animal para levar ao médico também não é necessário; o tratamento baseia-se nos sintomas.

Com informações de Metrópoles

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